Mercado

Activos da banca aumenta 7% e lucros caem pela metade em 2014

23/09/2015 - 15:29, Banca, Banca

No ano passado, o volume de activo agregado das instituições financeiras angolanas aumentou cerca de 7, 26 % face ao ano anterior, fixando-se nos 7.129 mil milhões de kwanzas, mas, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), o resultado líquido total do sector registou uma queda de 50 por cento no mesmo período, influenciado […]

No ano passado, o volume de activo agregado das instituições financeiras angolanas aumentou cerca de 7, 26 % face ao ano anterior, fixando-se nos 7.129 mil milhões de kwanzas, mas, segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA), o resultado líquido total do sector registou uma queda de 50 por cento no mesmo período, influenciado pelos resultados perniciosos do ex-BESA (Banco Espírito Santo Angola).

Para a Deloitte, “sem esse efeito os resultados líquidos do sector teriam registado um crescimento de cerca de 12 por cento”. Essa conclusão consta no estudo da Deloitte apresentado ontem, em Luanda.

O presidente da Deloitte em Angola, Rui Santos Silva, admitiu que em dez anos o sector financeiro cresceu de forma extraordinária. “Foram criadas neste período mais de dez  instituições financeiras com actividade comercial e assistiu-se a um crescimento no caminho da sofisticação e da implementação de modelos de sustentabilidade das suas operações, o que lhes oferece hoje uma posição consolidada no mercado nacional e, em alguns casos, em mercados internacionais”, disse.

“A evolução positiva que os bancos continuam a ter e a confiança dos depositantes verificadas nesta décima edição do Banco em análise são animadoras”, sustentou Nuno Alpendre, sócio da Deloitte, acrescentando que se observou em 2014 mais um ano de crescimento significativo do volume de depósitos e uma evolução muito expressiva de todos os indicadores relacionados com a utilização do sistema financeiro nas transacções económicas correntes. Nos indicadores da banca do ano passado, o estudo destaca o aumento em 59 por cento do volume de transacções efectuadas em terminais de pagamento, entre 2013 e 2014, além dos desafios em que o sector deve prestar maior atenção, como a evolução desfavorável dos rácios de crédito vencido que se verificou em 2014.

 

Depósitos em kwanzas

 

Segundo o estudo, o peso dos depósitos em moeda nacional tem crescido em detrimento da moeda estrangeira, com uma variação positiva de sete pontos percentuais, de 58 por cento em 2013 para 65 por cento em 2014. O valor dos depósitos de clientes no sector bancário, em 2014, representa 5.350 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 15 por cento face a 2013. O crédito líquido a clientes também aumentou em 2014, em comparação com o ano anterior. O seu valor agregado ultrapassou os 2.930 mil milhões de kwanzas, o que corresponde a um aumento de oito por cento face a 2013. O peso do crédito sobre clientes na estrutura global de activos dos bancos nacionais foi, em 2014, de 41 por cento. Relativamente ao rácio de crédito vencido, este ascendeu a 14,5 por cento, registando-se um aumento, se comparado com o valor do período anterior, de 11,2 por cento.

Em 2014 estavam em actividade 23 bancos, perspectivando-se em 2015 a entrada em actividade de seis novos bancos.

 

Números apresentados

 

Em 2014, o número de cartões multicaixa aumentou para 3.165.008, comparativamente aos 2.462.174 registados em 2013, e os cartões válidos ascenderam a 4.687.951, face aos 3.377.798 de 2013. O número de caixas automáticas (ATM) e Terminais de Pagamento Automático (TPA) registou um crescimento de 13 por cento e 48 por cento, respectivamente. O número de ATM aumentou para 2.627 em 2014, comparativamente aos  2.334 de 2013, e o número de TPA cresceu para 47.076 terminais, face a 31.716 de 2013.

O número de transacções em 2014 cresceu cerca de 32 por cento, demonstrando uma subida na ordem de 27 por cento nas transacções realizadas em ATM e de 59 por cento nas transacções efectuadas em TPA.

Analisada a composição dos depósitos por natureza, o valor dos depósitos à ordem situou-se acima dos 2.900 mil milhões de kwanzas, representando cerca de 55 por cento do total de depósitos, enquanto os depósitos a prazo ultrapassam os 2.300 mil milhões de kwanzas. O evento, comemorativo da décima edição do estudo “Banca em Análise”, contou com a intervenção do governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José Pedro de Morais, e serviu também para o lançamento da terceira edição do Observatório da Inclusão Financeira (OIF), uma iniciativa da Deloitte que pretende acompanhar o processo de inclusão financeira da população angolana, avaliando os resultados da implementação de diferentes programas e acções, bem como disponibilizar informação relevante sobre boas práticas internacionais.

Nesta décima edição, é ainda destacada a evolução positiva do número global de adultos que detêm conta bancária, de 51 por cento, em 2011, para 62 por cento, em 2014. Segundo o documento, continuam a verificar-se profundas discrepâncias entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde os níveis de inclusão financeira rondam os 94 por cento, e os países em desenvolvimento, onde este número desce para 54 por cento.

Enquanto na generalidade das regiões esta evolução assentou maioritariamente na abertura de uma conta junto de uma instituição financeira, na África Subsariana a evolução de 24 por cento, em 2011, para 34 por cento, em 2014, foi essencialmente efectuada por via de contas de “mobile Money”. Essa realidade evidencia a grande receptividade que os países desta região apresentam para a adopção de novas tecnologias, em complemento ou substituição da banca tradicional.

A plataforma de financiamento “online KIVA”, o projecto “Aldeia Digital”, promovido pelo ICICI Bank, e o lançamento pela operadora Orange do serviço de pagamento móvel “Orange Money”, na Costa do Marfim, são casos de sucesso em destaque nesta terceira edição

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