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BAI aguarda política monetária para transaccionar yuan

03/09/2015 - 16:20, Banca, Banca

O Banco Angolano de Investimento (BAI) espera pela definição de instrumentos monetários entre Angola e China, pelos respectivos governos, para dessa forma dar início às transacções financeiras na moeda do gigante asiático.

Por Fernando Baxi | Fotografia Walter Fernandes

A definição de instrumentos de política monetária entre Angola e China, dependente dos governos de Luanda e de Pequim, vai abrir portas para o BAI efectuar operações cambiais em kwanzas e yuans, e vice-versa, face ao volume de trocas comerciais que as duas economias registam anualmente, admitiu o banco em resposta a uma abordagem do jornal Mercado.
Para o BAI, a aceitação do yuan como moeda no comércio bilateral permitirá acompanhar a intensificação das trocas comerciais entre os dois países, facilitando também as operações de créditos documentários e o pagamento de bens e serviços.
Para o terceiro maior banco privado nacional (no ranking de lucros de 2014 obteve 12,8 mil milhões Kz), a conversão monetária sino-angolana trará vantagens para a banca comercial nacional, porque a China é o principal importador, o que traduz maior rentabilidade nas transacções financeiras.
Face à particularidade dos instrumentos monetários que aguardam definição, na visão estratégica do BAI os bancos comerciais nacionais vão cobrir a necessidade de serviços financeiros especializados que servirá de elo entre os dois países por forma a garantir um sistema de pagamentos e fluxos de bens e capitais articulado, seguro e de confiança.
Um acordo monetário sino-angolano, segundo o banco, poderá facilitar também o estreitamento das respectivas economias, porque as trocas comerciais serão efectuadas directamente na moeda chinesa sem recorrer a uma transacção intermediária, como actualmente acontece com o dólar norte-americano.
Apesar de o Fundo Monetário Internacional (FMI) rejeitar a inclusão do yuan no grupo das moedas de reservas internacionais, o BAI crê no poder da economia chinesa para se impor entre as principais potências económicas mundiais, como os EUA.
“Embora fosse desejável a aceitação do yuan por parte do FMI, tudo indica que está num processo de se estabelecer como uma moeda de reserva internacional, e continuaremos a acompanhar este processo”, refere a instituição ao Mercado.
A actual robustez da moeda chinesa, resultante da estabilidade macroeconómica do gigante asiático, anima o sector bancário nacional, como se pôde depreender das aspirações do BAI, apesar da recente desvalorização de 1,62%, face ao dólar norte-americano, o que poderá levar o banco angolano a fazer reservas monetárias em yuans.
Tendo em conta os indicadores internacionais sobre a economia chinesa, segunda maior do mundo, o BAI acredita que no curto prazo o yuan será, cada vez mais, um meio seguro de pagamento de reserva de valor, pois “a desvalorização do yuan é estratégia das autoridades da China para atrair as exportações, que estão em queda”.
O banco considera que um acordo monetário sino-angolano é oportuno e benéfico para as economias dos dois Estados, uma vez que “Angola ganha, porque estará mais aberta ao exterior com parcerias fortes nos bons e maus momentos”.
O BAI aguarda pela definição de política monetária para transaccionar yuans, numa altura em que o banco central da China assegurou que o sistema financeiro do país asiático é basicamente estável, e que manterá a política monetária prudente ao mesmo tempo em que irá reduzir os custos de empréstimos e aumentar a porção do financiamento directo aos empréstimos sociais.

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