Mercado

Banca investe menos na diversificação da economia

05/01/2018 - 08:59, Banca, featured

Os críticos centram as suas observações no BPC porque beneficiou, em 2015, de um financiamento do BDA para o apoio a projectos do sector produtivo.

Por Fernando Baxi
fernando.baxi@mediarumo.co.ao

O montante concedido para o financiamento de projectos ligados à agricultura teve um peso inferior a 10% na carteira de crédito dos bancos de grande dimensão, apurou o Mercado da análise aos relatórios e contas dos três últimos anos, levando os críticos a considerar que a banca pouco participa no processo de diversificação da economia.

A quota atribuída pelos principais bancos comerciais à agricultura está “desajustada aos desígnios do Executivo, quanto à estratégia de alavancagem de sectores-chave da economia,  face  à  crise  económica,  que iniciou em 2014, em função da desvalorização do petróleo no mercado mundial”, considera Dionísio Ferreira de Oliveira, economista.

Os críticos centram as suas observações no Banco de Poupança e Crédito (BPC), maior instituição bancária do sistema financeiro nacional, visto que, desde 2014, o montante atribuído à agricultura, produção animal, pescas e silvicultura representa 0,5% do total, concedido por sectores de actividades, sendo que 50% da carteira foi atribuída ao comércio.

No exercício 2014, o BPC atribuiu 832,6 milhões Kz a projectos de investimentos ligados à agricultura e pescas, como espelha o relatório e contas de 2016, publicado em 2017, relativamente à distribuição do crédito por sectores de actividade económica. Ao comércio foi concedida uma verba de cerca de 90,8 mil milhões Kz.

A verba atribuída à agricultura em 2015 foi de cerca de 1,3 mil milhões Kz, que representa 0,5% de 232,6 mil milhões Kz, do total de crédito distribuído por sectores de actividade económica. O BPC voltou a priorizar o sector do comércio, tendo concedido 112,4 mil milhões Kz, representando 48,3% do montante global concedido.

O maior banco comercial angolano, embora esteja a passar por um processo de restruturação, manteve o perfil de distribuição do crédito em 2016, concedendo cerca de 1,5 mil milhões Kz para o sector da agricultura. A quantia representa 0,5% de 290,6 mil milhões Kz do total. O comércio obteve 143 mil milhões Kz, reflectindo 49,2%.

A estratégia de concessão de crédito do BPC “está longe do alinhamento da política monetária com as medidas económicas porque também foi prestada pouca atenção, quanto ao financiamento  do  sector  da  indústria transformadora”, declara Ferreira de Oliveira, reagindo ao montante atribuído a este segmento da economia.

Em 2014, o montante atribuído ao sector da indústria foi de 4,6 mil milhões Kz; 2,5% do total. No ano seguinte, a quantia cifrou-se em 4,9 mil milhões Kz, 2,1%, e em 2016 o valor do crédito atingiu 5,1 mil milhões Kz, representando 1,7% do volume atribuído.

Para Adelina Marques, também economista, esperava-se mais do BPC, pelo menos em 2015 e 2016, porque beneficiou de uma linha de financiamento do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), justamente para dar cobertura a projectos do sector produtivo, no qual se inclui a agricultura, pescas e indústria transformadora. “A verba disponibilizada pelo BDA, em forma de repasse, saiu do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND) para dar suporte aos programas de investimentos cujos resultados têm impacto no processo de diversificação da economia”, esclarece.

Leia mais o Jornal Mercado,  edição nº.1, já nas bancas!

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.