Mercado

Bancos comerciais adoptam normas internacionais de contabilidade

16/11/2017 - 11:59, Banca

As demonstrações financeiras, no âmbito das IAS/IFRS, são mais abrangentes e detalhadas, aumentando a transparência da informação financeira.

Por Fernando Baxi
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A descrição financeira das instituições bancárias em Angola já é elaborada à luz das Normas Internacionais de Contabilidade e Relato Financeiro (IAS/IFRS), face à adopção plena a partir do exercício de 2016, segundo a Associação Angolana de Bancos (ABANC), no Relatório Anual 2017, divulgado recentemente em Luanda.

A adopção plena das IAS/IFRS foi aprovada pelo Aviso n.º 6/2016 do Banco Nacional de Angola (BNA), de 22 de Junho, e dividiu-se em duas fases. A primeira ocorreu em 2016, enquanto a segunda etapa, no início do exercício financeiro 2017, explica a ABANC no relatório, considerando ser “um processo complexo e simultaneamente dinâmico”.
Na primeira fase, conforme o aviso do regulador bancário acima citado, começaram por implementar as IAS/IFRS os bancos com um total de activo superior a 300 mil milhões Kz; detentores de valor mobiliários admitidos à cotação num mercado regulamentado; e sedeados no território nacional com subsidiárias no estrangeiro.

Assim, Angola está inserida no grupo de países que exigem ou permitem a aplicação destas normas, “traduzindo-se num reconhecimento internacional das divulgações efectuadas pelo BNA e pelas instituições financeiras bancárias angolanas”.

A adopção das IAS/IFRS teve impacto a nível contabilístico e de relato financeiro, sobretudo na implementação da metodologia de cálculo de perdas por imparidade que substituiu o procedimento de cômputo das “provisões, mensuração e reconhecimento dos proveitos financeiros pela taxa de juro efectiva e as divulgações nos anexos às demonstrações financeiras”, defende a ABANC, no relatório sobre o sector em 2016.

Desta forma, segundo a associação presidida por Amílcar Silva, espera-se que a introdução da metodologia de cálculo por imparidade de crédito vá representar um aumento do montante esperado de perdas em créditos concedidos. “A aplicação do conceito de taxa de juro efectiva vai implicar o reconhecimento dos proveitos associados a cada um dos instrumentos financeiros ao longo da vida útil e não no momento da liquidação”, explica o representante da banca no relatório, alegando que “as divulgações nos anexos às demonstrações financeiras são mais abrangentes e detalhadas, aumentando a transparência da informação financeira”.

Os bancos que reportaram as demonstrações financeiras, no âmbito das IAS/IFRS em 2016, tiveram de fazer ajustamentos, que implicaram alterações aos valores do balanço, capital próprio e dos resultados líquidos do exercício 2015, preparadas de acordo com as normas de contabilidade, estabelecidas no CONTIF, diz a ABANC. A adopção plena das IAS/IFRS obedeceu ao estudo preciso do impacto a nível fiscal, refere a instituição presidida por Amílcar Silva, alegando que as respectivas normas procuram sempre garantir que “os reportes de informação e a contabilidade estejam o mais adequados e enquadrados com os riscos conhecidos, primando pela solidez das instituições que operam num ambiente de negócio volátil e de difícil previsão”.

“Em exemplo disso, a partir de 1 de Janeiro de 2018, Angola deve reportar contabilisticamente as imparidades de crédito de acordo com o definido na IFRS 9, que substitui o IAS 39, adoptados por todos os bancos que reportam em IFRS até ao exercício de 2017”, informa a ABANC, no relatório acima expresso.

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