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CaixaBank sem pressa para reduzir participação no BFA

09/02/2018 - 09:25, Banca, featured

Banco espanhol, dono do BPI, considera que BFA é rentável e bem gerido.

Por Paulo Narigão Reis

Tranquilidade é a palavra que o presidente executivo do CaixaBank utiliza no que diz respeito à solução para reduzir a participação – através do português BPI – do banco espanhol no Banco de Fomento Angola (BFA) e assim cumprir a imposição do Banco Central Europeu.

“O objectivo é reduzir a participação mas não temos prazos para o fazer. Com tranquilidade vamos buscar melhor a saída para o BPI, para o BFA”, afirmou Gonzalo Gortázar, em conferência de imprensa onde anunciou os resultados do banco agora sediado em Valência. “Estamos tranquilos com a posição que detemos no BFA através do BPI mas continuamos a explorar opções”, adiantou Gortázar, antes de considerar que o BFA é “um banco muito rentável”, com rentabilidade de recursos próprios de 35%, e “bem gerido”.

A participação do BPI no BFA é, actualmente, de 48,1% mas deverá ser reduzida a médio prazo, conforme afirmou recentemente Pablo Forero, presidente executivo do BPI, banco que, por sua vez, é detido em 85% pelo CaixaBank. “A sugestão do BCE é para continuarmos a reduzir. Gostava que a nossa participação no BFA fosse menos de 48%”, afirmou Forero na conferência de imprensa de apresentação dos resultados de 2017. De acordo com Forero, não existe por esta altura qualquer pressão temporal para reduzir a participação embora admita que a redução possa ser feita através de uma oferta pública de venda. “A nossa estratégia em Angola é reduzir a nossa participação no BFA e, ao mesmo tempo, apoiar o BFA”, disse o presidente executivo do BPI, sendo que o banco português vê a sua posição no BFA como um investimento financeiro e não estratégico, já que não possui presença na gestão do banco angolano.

O CaixaBank divulgou esta semana os resultados de 2017, apresentando lucros recorde de 1.684 milhões de euros, os maiores da sua história e mais 60% do que em 2016. A contribuição do BPI para os resultados do banco espanhol foi, por sua vez, de 176 milhões de euros. Já o BPI apresentou lucros de 10,2 milhões de euros em 2017, abaixo dos 313,2 milhões de euros registados em 2016 devido sobretudo aos impactos negativos da redução da operação em Angola. “O resultado líquido consolidado ‘como reportado’ foi positivo em 10,2 milhões de euros, absorvendo totalmente o impacto contabilístico da venda de 2% e desconsolidação do BFA (- 212 M.€), e os impactos extraordinários na actividade em Angola no 4.º trimestre (-107,4 M.€), que incluem a classificação de Angola como economia de elevada inflação pelas empresas internacionais de Auditoria e consequente efeito no reconhecimento contabilístico da participação no BFA de acordo com as IAS 29 (estimados em -69 M.€), os custos extraordinários com o programa de saídas voluntárias (-78 M. € após impostos) e, em sentido positivo, a mais-valia resultante da venda da BPI Vida e Pensões (+9 M.€)”, escreveu o BPI no comunicado de divulgação dos resultados.

Recorde-se que em Janeiro do ano passado o BPI vendeu 2% do BFA à Unitel, a maior operadora de telecomunicações do País, gerida por Isabel dos Santos, num negócio de 28 milhões de euros. Antes disso, a posição do banco português no BFA, fundado na década de 1990, era maioritária. O BFA é, desde então, controlado pela Unitel, com 51,9%, tendo o BPI 48,1%, naquilo que considera ser uma participação financeira e não estratégica. O BPI não está presente na gestão do BFA, mas Frankfurt continua a querer que o BPI reduza a sua participação no BFA.

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