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Lucro do Standard Bank mais do que duplica

02/03/2018 - 09:26, Banca, featured

Banco gerido por António Coutinho teve lucros de 17,1 mil milhões Kz no ano passado. Carteira de crédito recuou mais de 40%, face a 2016, mas compra de dívida pública aumentou.

Por Fernando Baxi

fernando.baxi@mediarumo.co.ao

O Standard Bank Angola (SBA) registou um lucro de 17, mil milhões Kz em 2017, mais 116,2% face aos 7,9 mil milhões  Kz,  segundo  cálculos  do Mercado com base nos balancetes do IV trimestre publicados no websiteda instituição financeira.

O banco sul-africano, presente em Angola desde 2003, atingiu um aumento de 93,7% nos fundos próprios, que passaram de 10,75 mil milhões Kz, em 2016, para 20,82 mil milhões Kz, em 2017.

Já a carteira de crédito recuou cerca de 43,2%, comparativamente a 2016. Passou de 50,23 mil milhões Kz para 35,07 mil milhões Kz, confirmando assim a tendência generalizada do mercado. A carteira de depósitos, por seu turno, também contraiu, neste caso, 21,3%, em 2017, face a 2016, passando de 337,72 mil milhões Kz para 265,65 mil milhões Kz, como se constata dos balancetes do IV trimestre do banco liderado por António Coutinho.

Face à evolução destes indicadores, o rácio de transformação de depósitos em créditos no banco gerido por António Coutinho foi de cerca de 13,2%, contra os 14,9% registados no exercício de 2016.

Os  rácios  de  transformação  de 2017 e 2016 estão, aliás, muito abaixo do mínimo regulamentado, de 40%, dando sinal de que o SBA é dos bancos comerciais que menos créditos concedem em Angola. Já a carteira de títulos e valores mobiliários avançou cerca de 61,4%, comparativamente a 2016, o que significa uma aquisição em larga escala de dívida pública, em linha com a generalidade dos  bancos  comerciais.

Ao Mercado, Daniel Marcos, especialista em contabilidade bancária, defende que o SBA “demonstra ter capacidade financeira para manter a actividade e manter-se solvente”. Os fundos próprios, explica, “permitem aos bancos comerciais prevenir e suportar os riscos sistémicos não cícilicos de longo prazo, que possam causar consequências negativas graves à economia real”. O responsável avança que a redução da carteira de crédito é “um fenómeno que beneficia os próprios bancos, pois, indica, muitas vezes, a entrada de dinheiro, proveniente dos devedores, torna-os mais pujantes e capazes de suportar os riscos sistémicos”. “A redução do crédito tem implicações na economia, mas os bancos precisam de encontrar mecanismos para conter a crise, que reduziu a capacidade de os devedores pagarem as dívidas com as instituições financeiras”, afirma. Já Lurdes Viegas, economista, especializada em Finanças Internacionais, defende que os bancos “podem encontrar uma solução para massificar o crédito à economia, apesar da crise económica e financeira que o País atravessa”.O crédito especializado, no caso, o leasinge o factoring, é uma das alternativas.Também o Banco Caixa Geral Angola  melhorou  os  resultados  em 2017, mas apenas residualmente, face a 2016. O banco liderado por Fernando Marques teve lucros de 12,40 mil milhões Kz em 2017, mais 0,3% face aos 12,37 mil milhões Kz de 2016.

A carteira de crédito também baixou, neste caso, 12,5%, face ao período homólogo Na edição da semana passada, recorde-se, o Mercado publicou os resultados do BFA e do BAI, referentes a 2017. O primeiro teve lucros de 69,1 mil  milhões  Kz,  mais  12%  face  a 2016, e o segundo lucrou cerca de 54,7 mil milhões Kz, um crescimento de 10%, face a 2016.

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