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O Novo Banco nunca foi “um banco bom” e Estado pode ter perdas

15/01/2018 - 13:45, Banca

O Novo Banco nunca foi um banco bom desde que foi criado, e existe o risco de os contribuintes virem a ter de suportar prejuízos.

Dinheiro Vivo

O Novo Banco nunca foi um banco bom desde que foi criado em 3 de Agosto de 2014, e existe o risco de os contribuintes virem a ter de suportar prejuízos relacionados com o banco, disse o ministro das Finanças de Portugal. Mário Centeno reiterou que ainda não se sabe se não haverá necessidade de o Fundo de Resolução vir a ter de fazer novas injecções de capital no Novo Banco.

Nas suas contas de 2016, o Fundo de Resolução dá como perdidos os 4,9 mil milhões EUR injectados no Novo Banco aquando da sua criação. “O banco não era bom”, afirmou Centeno numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, adiantando que “o banco não era vendável”. “Esse risco (de perdas para o erário público) existe desde que se accione um mecanismo de resolução na forma como foi accionado em 3 de Agosto de 2014. O que há a fazer é minimizar os riscos e a sua materialização noerário público”, disse. O Novo Banco foi vendido à Lone Star em Outubro de 2017, tendo a norte-americana de injectar 1000 milhões EUR no banco. No entanto, foram dadas garantias à Lone Star de que pode implicar novas injecções de capital no banco por parte do Fundo de Resolução.

“Temos uma gestão de um conjunto de activos (no Novo Banco) cujo resultado pode ter impacto de injecções de capital adicionais. Esse risco existe. É importante que o Fundo de
Resolução esteja ciente da necessidade de gerir esse risco. É importante que estejamos todos avisados de que há um risco em toda esta operação”, afirmou o ministro. O Novo Banco não está, entretanto, obrigado a ter de manter o número de trabalhadores nem o número de balcões, na sequência da venda do banco à Lone Star, tendo apenas de respeitar compromissos em termos de rendibilidade. O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou que a Lone Star assumiu compromissos que incluem garantir que o banco tem “um nível de resultados e de solvência condizente com a sua existência”.

Na audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, o ministro português afirmou que há um objectivo muito importante com a venda do Novo Banco “que tem que ver com a estabilidade da instituição e manutenção da instituição como uma instituição bancária solvente”.

Entre Janeiro e Setembro de 2017, o Novo Banco reduziu em 390 o número de trabalhadores em Portugal. A venda do banco à norte-americana Lone Star ficou concluída em Outubro último. O secretário de Estado adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, referiu, na mesma audição, que cabe ao Novo Banco tomar as decisões de gestão que entenda serem as mais adequadas e que podem implicar “fecho de balcão ou rescisões ou reformas antecipadas”. Lembrou que a Lone Star injectou no banco 1000 milhões EUR e que a sua intenção como comprador do Novo Banco não é reduzir o activo que comprou.

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