Mercado

Resultado líquido da banca cresce 19% em 2015

14/11/2016 - 12:00, Banca, Banca, featured

A banca angolana mostrou-se resiliente no período em análise, mas o processo de adaptação às exigências do sector e do BNA será desafio a ter em conta na apresentação dos relatórios em 2016.

Por Roberto Alves

roberto.alves@mediarumo.co.ao 

O resultado líquido total da banca comercial nacional registou um crescimento de cerca de 19%, para 116,5 mil milhões Kz em 2015. Diz o 11.º estudo Banca em Análise, da Deloitte, apresentado em conferência de imprensa esta semana em Luanda.

A Deloitte constatou, por outro lado, que o volume de activos agregados das instituições financeiras angolanas cresceu, fixando-se nos 7,5 mil milhões Kz. Os cinco maiores bancos representam 69% do total do activo dos bancos em estudo, que neste item registou um aumento de 12% face ao ano anterior. Na posição relativa dos Big Five do mercado angolano, o BPC continua a liderar a lista, com um activo total de 1,3 mil milhões Kz, seguido por BFA, BAI, BIC e BPA.

José Barata, sócio e líder do sector de Serviços Financeiros da Deloitte em Angola, refere que assistimos, em 2015, ao aumento do número de bancos comerciais em actividade e que esse é um sinal da resiliência do mercado. Paralelamente, em virtude do aumento das exigências regulamentares que incidem no sector bancário, perspectiva-se que os bancos angolanos tenham importantes desafios na melhoria dos níveis de controlo interno e na adopção das normas internacionais de contabilidade e relato financeiro (IFRS), que implicam a implementação de novos modelos de cálculo de perdas para imparidade de crédito e a consequente melhoria nos processos de acompanhamento e recuperação do risco de crédito.

De acordo com a 11.ª edição do estudo Banca em Análise, em 2015, o peso dos depósitos em moeda nacional mantém a tendência de crescimento em detrimento da moeda estrangeira, passando a representar 69% dos depósitos totais, o que significa uma variação positiva de 4 pontos percentuais face ao ano anterior. O valor total dos depósitos de clientes foi de 6.094 mil milhões Kz nesse ano, representando um crescimento de 12% face a 2014, valor que incorpora o efeito da valorização dos depósitos em moeda estrangeira ao câmbio oficial.

O crédito líquido a clientes registou também um aumento em comparação ao ano anterior.

Considerando os bancos analisados, o total de crédito líquido ascendeu a 2,7 mil milhões Kz, o que representa um crescimento de 6% face a 2014, com o BPC, o BAI e o BIC a liderarem na concessão de crédito. Esta variação, segundo a Deloitte, incorpora o efeito da valorização dos créditos concedidos em moeda estrangeira ao câmbio oficial. O estudo demonstra ainda que a constituição anual de provisões para o crédito dos bancos aumentou 107%. No que se refere ao rácio de crédito vencido, este manteve-se nos 13%, tal como no estudo anterior.

A forte pressão inflacionária que atinge a economia terá desmotivado uma maior atractividade dos depósitos a prazo, mas motivaram o aumento dos depósitos à ordem, sendo superiores aos depósitos a prazo.

Analisando a composição dos depósitos por natureza para os bancos em análise, o valor dos depósitos à ordem representa cerca de 57% do total de depósitos. “No contexto económico actual é de destacar que o sector financeiro angolano registou, em 2015, um crescimento dos depósitos entre os bancos comerciais analisados, o que demonstra a resiliência das instituições bancárias do País”, salienta o presidente da Deloitte em Angola, Rui Santos Silva.

Diversificação das fontes de financiamento e serviços

Em 2015, pela primeira vez, foram comercializados títulos de dívida soberana no mercado financeiro internacional. “Esta emissão foi um passo importante para a diversificação das fontes de financiamento dos agentes económicos”, disse Rui Santos. Adicionalmente, José Barata destaca ainda a relevância da assinatura do acordo intergovernamental entre Angola e os Estados Unidos da América para a implementação do Foreign Account Tax Compliance Act (FATCA), “o que será mais um factor que contribuirá para a necessária melhoria dos processos de compliance e do combate ao branqueamento de capitais”.

Segundo o responsável de consultoria em serviços financeiros da Deloitte em Angola, Nuno Alpendre, o crescimento continuado da utilização dos meios electrónicos de pagamento tem criado novas oportunidades e desafios no sector. Neste sentido, espera-se que os bancos continuem a desenvolver esforços para adaptar a oferta de produtos e serviços aos diversos segmentos, com propostas de valor distintas e enfoque na inovação. Para este efeito, a banca angolana deverá apostar na melhoria dos processos de negócio e na permanente actualização tecnológica, em linha com as tendências globais.

Consta que o desempenho do sector financeiro registou um crescimento dos activos e depósitos entre os bancos comerciais analisados.

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