Mercado

Risco de mercado “ameaça” dívida pública

21/09/2017 - 11:16, Banca, Banca

Os títulos de dívida pública de curto prazo escapam ao risco de mercado, ao contrário dos emitidos para maturidades superiores a um ano.

Por: Fernando Baxi

O investimento em títulos de dívida pública também está sujeito ao risco, embora seja menor, se comparado com outros instrumentos financeiros de poupança, tais como os depósitos a médio e longo prazos, defendem especialistas ouvidos pelo Mercado, que, em jeito de conselho, indicam os bilhetes do Tesouro quando a questão é investir dinheiro.

A indicação do bilhete do Tesouro (BT), por parte dos especialistas, consiste no facto de ser um instrumento financeiro de curto prazo, o que permite ter maior confiança no resgate do capital investido ou emprestado ao Estado, mesmo em períodos de crise.

“Os BT são emitidos pelo Banco Nacional de Angola (BNA) nas seguintes maturidades: 91, 182 e 364 dias, tendo como taxas de juro 16,14%; 20,25% e 23,90%, respectivamente. Este produto de poupança é mais atractivo em relação às obrigações do Tesouro (OT) pelo tempo de resgate, o que diminui o risco de mercado”, defende Jorge Roberto Pimentel.

Para Jorge Pimentel, economista e consultor, através das variáveis macroeconómicas, é possível prever crises sistémicas no sistema financeiro no espaço de um ano, “mas é difícil ou quase complexo fazer conjectura sobre a economia nos próximos três anos, pelo que o próprio investidor vai preferir aplicar o seu dinheiro em BT em detrimento das OT, pela maturidade apresentada”, acrescenta o especialista.

“O ambiente macroeconómico é de extrema desconfiança, a economia vive momentos de incerteza, reflectindo-se no sistema financeiro. Ainda assim, os investidores estão dispostos a arriscar o capital, investindo em títulos de dívida pública, mas procuram mais os BT, inclusive o BNA e o Ministério das Finanças reconhecem este facto”, diz.

As OT são emitidas para maturidade de 3 anos à taxa de juro de 7% por ano. “Pelas razões já evocadas, este instrumento financeiro é menos atractivo e está sujeito ao risco de mercado”, afirma Jorge Pimentel, aludindo que tal facto motivou a implementação de um produto similar, mas indexado à taxa de câmbio, as OT-TXC, cuja maturidade é de 3, 4 e 5 anos.

Este produto de poupança, no âmbito do investidor, e de financiamento para o Estado tem uma taxa de juro de de 7%; 7,25% e 7,5% por ano, respectivamente.

“Com o OT-TXC, o capital investido em títulos de dívida pública fica imune às flutuações negativas que possam ocorrer na economia, como a inflação e a desvalorização da moeda nacional, mas está longe do risco de mercado”, considera o economista e consultor.

“Apesar de os títulos de dívida pública com maturidades longas estarem sujeitos aos riscos de mercado, pelo menos escapam ao risco de crédito, ou calote, porque têm a garantia do Estado, que é o emitente, no caso o BNA e o Ministério das Finanças”, declara Emanuel Lima de Sousa, também economista e mestre em Relações Internacionais, na vertente económica.

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