Mercado

Vendas de divisas do BNA aumenta 30% até Novembro

15/12/2017 - 09:25, Banca, featured

Quase 50% do montante de divisas vendidas em leilões do BNA, em Novembro, foi para a cobertura de operações de bens alimentares.

Por Fernando Baxi
fernando.baxi@mediarumo.co.ao

O Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu à banca comercial cerca de 10,3 mil milhões EUR, de Janeiro a Novembro, montante que reflecte um aumento de cerca de 30%, face ao período homólogo, segundo cálculos do Mercado com base no mapa consolidado de vendas de divisas do Departamento de Mercados e Activos do banco central. O BNA vendeu mais cerca de 2,4 mil milhões EUR, em relação ao mesmo período de 2016, cujo  montante  de  divisas  vendidas ficou estimado em 7,9 mil milhões EUR.

As maiores vendas de cambiais até Novembro verificaram-se nos meses de Janeiro, Março e Agosto, em que o banco central disponibilizou cerca de 1,93 mil milhões, 1,96 mil milhões e 1000 milhões EUR, respectivamente.

Em 2016, as vendas de cambiais atingiram a cifra de 1000 milhões EUR em Agosto, Setembro e Dezembro, ilustra o mapa consolidado.

O documento indica ainda que, em Setembro, o BNA disponibilizou menos  divisas  ao  mercado  cambial, 384,1 milhões EUR. No ano passado, a maior escassez de cambiais ocorreu em Fevereiro, quando o banco central vendeu cerca de 462,95 milhões EUR.

Dólar ‘desaparece’ do circuito cambial

Até Novembro de 2017, o mapa consolidado de vendas de divisas do BNA não faz referência a transacção de dólares norte-americanos no mercado cambial, ao contrário de 2016, ano em que o banco central ainda vendeu cerca de 832,02 milhões USD.

O facto vem cimentar a posição de especialistas que encaram o euro como a única divisa a circular no mercado  cambial  no  País,  desde 2015, após a decisão da Reserva Federal Americana (Fed) de suspender o fornecimento de dólares à banca nacional.

O órgão regulador do sistema financeiro norte-americano apontou como causas as fragilidades nos procedimentos de regulamentação e compliance, “descredibilizando as instituições bancárias angolanas diante das principais organizações financeiras mundiais”, como afirmou António Alberto, economista e docente universitário.

“Também como consequência do posicionamento da Fed, o BNA perdeu a equivalência com os principais bancos centrais do mundo. Mas, pelo trabalho que está a ser feito a nível do banco central, acredito que até 2019 tudo fique resolvido”, diz o mesmo especialista.

Os parceiros internacionais foram obrigados a encerrar as representações no País. “Outra instituição financeira prejudicada com decisão americana terá sido o First National Bank, da África do Sul, que foi dos principais intermediadores de aquisição da moeda americana aos bancos americanos, a título de exemplo o Bank of America”, adianta António Alberto.

O BNA vendeu divisas ao mercado no valor de 759 milhões EUR, durante o mês de Novembro, sendo que cerca de 49,3% (373,8 milhões EUR)  deste  montante  foi  para  a cobertura de operações de bens alimentares.

Da venda realizada na última semana, o banco central disponibilizou 38,8 milhões EUR para cobertura de operações relacionadas com a liquidação de cartas de crédito por si asseguradas, o que poderá somar-se ao montante relativo à importação de bens e serviços, porque nos meses anteriores (principalmente Setembro) a aquisição foi feita mediante aquela via.

Ainda do valor global vendido em Novembro, 54,1 milhões EUR foram alocados ao sector dos transportes, enquanto 82,4 milhões EUR se destinaram à cobertura de operações do sector dos transportes.

Para a cobertura de operações com viagens, ajuda familiar, manutenção de pessoas físicas, educação, cartões de  pagamento  internacional  e salários de expatriados, o banco central vendeu 18,2 milhões EUR.

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