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Banca terá de aliar-se às empresas tecnológicas ou tornar-se numa

08/02/2017 - 13:50, Banca, featured

A experiência de tecnologia incorporada está a mudar a maneira como a banca se situa na vida das pessoas.

Por Roberto Alves 

roberto.alves@mediarumo.co.ao 

Os bancos terão de fazer parcerias com empresas tecnológicas ou tornarem-se numa, se quiserem acompanhar e adaptarem-se as tendências tecnológicas que estão a mudar o modo de vida das pessoas em todo o mundo. Esta é uma das conclusões retiradas do I encontro ASM TALKS, co-organizado pela Angola School of Management (ASM) e pela Exictos.

O mundialmente conhecido Brett King, CEO da startupMove, autor best-seller da Amazon e consultor da Casa Branca para o futuro da banca, um dos três oradores do evento, defendeu a incorporação tecnológica nos processos de interacção com os clientes da banca, o fim da expansão das agências e a inovação tecnológica disruptiva, a que denominou de Banca 3.0.

“Tal como a tecnologia está a mudar o nosso modo de vida, a experiência de tecnologia incorporada está a mudar a maneira como a banca se situa na vida das pessoas. Não estão mais as pessoas a ir ao banco, mas o banco vai connosco para onde quisermos”, disse Brett King, que veio a Angola a convite da Exictos e da Boston Consulting Group (BCG).

Brett King falou em exclusivo ao jornal Mercado que num país preocupado com questões sociais, como é o caso de Angola, a tecnologia digital não coloca em risco a criação de emprego na banca, pelo contrário, hoje há muitos novos empregos a ser criados para a banca. O que se deve fazer é apostar na formação contínua dos funcionários e empregar pessoas novas, com outros conhecimentos. “Infelizmente, algumas habilidades não serão mais necessárias daqui a 30 anos. Temos estado a observar a disrupção tecnológica como os telefones e a Internet têm impactado indústrias como a musical e a televisão.

Até 2050, as empresas que não mudarem o seu modelo de negócio não existirão mais”, prevê Brett King.

A questão que se coloca é que este processo de adaptação para muitas sociedades pode ser doloroso. “Exigirá uma mudança a maneira como pensamos o trabalho, quem não se adaptar perderá o emprego, não há como evitar isto, temos apenas de encarar isto”, reflectiu o guru da banca digital. Brett King ainda exemplifica que, se, há 50 anos, empresas como a Shell e BP eram companhias do futuro, por explorarem as oportunidades dos mercados de extracção de petróleo, hoje, empresas como Facebook, Google ou a Amazon tornaram-se mais globais, porque apostaram na tecnologia.

Transformação digital

Daniel Araújo, PCA da EXICTOS e vice-presidente da ASSECO (entidades que produzem sistemas de informação para o sector financeiro), falou sobre a “Experiência da ASSECO na Banca Digital” e argumentou, entre outras questões, o poder transformador da tecnologia ao longo da última década, tendo estado a “transformar indústria atrás de indústria”, nos diferentes sectores da economia, desde o da aviação ao retalhista. “Não só houve uma transformação no que toca a tudo o que se relaciona com o software, tanto quanto à Internet. Mas, a partir do momento em que surgiram os smartphones, começámos a experienciar um mundo novo e, em meio disto, o mundo das aplicações bancárias” referiu.

Daniel Araújo explicou que o negócio bancário é tendencialmente complexo e aplicações igualmente difíceis, num mundo em que os utilizadores estão cada vez mais habituados a simplicidade. “Nós, que estamos do lado da tecnologia, continuamos a entregar serviços com aplicações tendencialmente complexas, o que não quer dizer que não têm aparecido inovadores. Hoje há bancos na Europa que fazem uma abertura de conta em oito minutos. Cá no País ainda não é possível, mas já existem instituições a fazê-lo completamente online”, disse. O também vice-presidente da ASSECO defendeu que, do ponto de vista do grupo de que faz parte, não haverá uma transformação digital sem uma aposta séria em quadros nacionais.

O “Imperativo da Transformação Digital na Banca” é para o senior partners e managing directorda BCG, Carlos Barradas, uma tarefa que exige dos bancos, primeiramente, saber as suas prioridades em cada momento. “Há seguramente bancos com objectivos diferentes para aquilo que querem com o negócio digital. Para mim, o grande desafio para os bancos é tentar perceber onde é que em cada fase do processo tem de ter uma oferta digital e em que fase não tem de ter uma oferta digital”, disse o orador.

Carlos Barradas explicou também que, de acordo com os exemplos bem-sucedidos, a transformação digital tem impacto no cliente, nas receitas, a oportunidade de transformar toda a base de custos e o aumento dos níveis de serviços. Mas adverte que não se pode avançar com estas iniciativas sem ter um business case para elas.

O próprio resultado destas iniciativas vai ter de financiar os objectivos a médio prazo, sendo que uma transformação digital de um banco é um processo de três a quatro anos, embora alguns bancos procurem soluções mais disrup.

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