Mercado

Banco BIC sem resultados para dar percentagem ao Estado português

20/02/2017 - 12:45, Banca

Cincos anos depois de vender o BPN ao Banco BIC, o Estado português teria direito a uma percentagem, mas algo correu mal.

Por César Silveira

cesar.silveira@mediarumo.co.ao 

O Estado português não beneficiará da percentagem prevista para o final dos cinco primeiros anos no negócio da venda do BPN ao Banco BIC Portugal pelo facto de os resultados ficarem abaixo do clausulado.

Segundo uma das cláusulas do contrato, o Estado português beneficiaria de 20% de qualquer valor acima dos 60 milhões EUR, caso esse viesse a ser o valor dos resultados positivos acumulados do Banco BIC Português nos cinco anos desde o negócio que ocorreu em 2012.

Entretanto, os resultados acumulados do banco estão muito abaixo dos 60 milhões EUR, segundo Fernando Teles, um dos accionistas da instituição bancária.
“Quando adquirimos o banco, tínhamos em depósitos 1,7 mil milhões EUR e em créditos 2,1 mil milhões EUR que, somando ao crédito que já tínhamos no BIC, cerca de 300 milhões, dava um total de 2,4 mil milhões EUR.

Desde a aquisição do BPN até hoje crescemos significativamente. Somos um banco com um volume de crédito de cerca de 4,2 mil milhões EUR, e em depósitos estamos com cerca de 5,1 mil milhões EUR. Em termos de activos, temos um balanço com cerca de 6,5 mil milhões EUR”, diz.

“Contudo, devido à actividade económica em Portugal, marcada pela crise, a banca manteve-se com pouca rentabilidade”, explica Fernando Teles.
Actualmente, acrescentou o banqueiro, o banco tem de fundos próprios cerca de 480 milhões EUR, mas, em termos de rentabilidade, registou, em 2015 cerca 15 milhões EUR de lucro líquido. “O resultado de 2016 não será positivo, o valor dos fundos próprios vai, praticamente, manter-se por via do rendimento integral, não obstante, em termos de lucros e pagamento de imposto ao Estado não vamos ter condições para o fazer”, assegurou.

Fernando Teles explicou que a actividade de 2016 foi afectada pela aplicação que o banco fez em obrigações da Portugal Telecom. “Com a compra pela Oi da Portugal Telecom, esta aplicação ficou na Oi, e o banco foi obrigado a criar uma provisão de 38 milhões EUR para fazer face a um eventual incumprimento por parte da empresa que comprou a Portugal Telecom.”

O banqueiro perspectiva resultados melhores para os próximos cinco anos. “Acho que, com a recuperação que a economia portuguesa começa a ter, a banca será beneficiada, e o BIC tem uma boa equipa. Para mim, esta equipa é ainda mais forte que a anterior. É uma equipa com pessoas mais novas, algumas oriundas da própria casa. Temos um administrador que saiu do BES em Portugal, um que foi ex-ministro, um que foi administrador da Caixa Geral de Depósitos e os outros são da casa. Por isso, são pessoas que conhecemos. Alguns deles com formação na banca mas também em empresas de auditoria e consultadoria.

É uma equipa com muita experiência, e acredito que daqui a cinco anos vai ter os resultados que eu esperava.”

Resultante de um investimento dos mesmos accionistas do Banco BIC Angola, o Banco BIC Portugal iniciou as suas actividades no ano de 2008.
Em 2012, por 40 milhões EUR, comprava o BPN, um negócio que veio permitir a expansão da marca em Portugal.

Entretanto, Américo Amorim, em 2014, vendeu as suas posições de 25% que detinha tanto no BIC Português como no BIC Angola. Na mesma altura, a Ruasgest também vendeu a sua participação de 10%. Os compradores foram a Santoro Financial Holding, ligada a Isabel dos Santos, e a Telesgest, ligada ao banqueiro Fernando Teles, que, assim, reforçaram as respectivas posições de accionistas maioritários.

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