Mercado

Banco de Inglaterra garante saúde de bancos britânicos

04/12/2017 - 09:43, Banca, featured

Banco central submeteu sete instituições bancárias britânicas a testes de stress, mas as provas foram superadas.

Dinheiro Vivo

O sistema bancário britânico demonstrou ser resistente à eventualidade de uma recessão, e nenhuma entidade do Reino Unido terá necessidade de reforçar o seu capital, confia o Banco de Inglaterra.

De acordo com os resultados das provas de resistência aos bancos britânicos, os sete bancos avaliados estão em posição de força perante a eventualidade de recessões no Reino
Unido e na economia global e encontram-se preparados para uma saída “desordenada” da União Europeia, garantiu o Banco de Inglaterra.
Esta é a quarta vez que o Banco de Inglaterra submete as principais entidades financeiras a este tipo de avaliação, desde a crise financeira de 2007-09 e que obrigou o governo a resgatar algumas delas, entre a quais o Royal Bank of Scotland (RBS). Os testes de stress incidiram sobre o Barclays, HSBC, Lloyds Banking Group, Natinwide, RBS, Santander UK e Standard Chartered. De acordo com o relatório, o Barclays e o RBS tiveram dificuldades num cenário económico de stress mas superaram as provas, depois de terem tomado medidas para fortalecer as suas contas desde o final de 2016.

O banco central britânico também observou durante a avaliação um panorama adverso perante a saída do país na União Europeia (UE) que ocorrerá em 29 de Março de 2019 e concluiu que a banca estará preparada para uma “saída desordenada”.

O banco central referiu como medida para mitigar o impacto do Brexit que o quadro normativo entre o Reino Unido e a UE seja concretizado de forma clara.

Requisitos

O BCE já deixara, no entanto, o aviso de que alguns bancos não cumprem ainda os requisitos para operar na zona euro depois do Brexit. “A supervisão bancária do BCE elogia o progresso que os bancos têm feito na preparação para o Brexit.

No entanto, alguns elementos nos planos de um número de bancos não cumprem totalmente as expectativas do BCE e os requerimentos dos bancos que operam na zona euro”, lê-se numa nota publicada há duas semanas na página da instituição sediada em Frankfurt.

Os responsáveis pela supervisão bancária afirmam que os bancos “não precisam apenas de estar bem capitalizados e de ter liquidez e fundos suficientes. Eles também precisam de ter substância a nível local”. Embora admita que não é fácil desenhar uma linha a dividir um banco bem estabelecido e integrado num grupo internacional e uma “concha vazia que é excessivamente dependente de entidades em países terceiros”, o BCE afirma que alguns dos planos de relocalização estão inclinados para esta última situação. No que diz respeito ao pessoal dos bancos, o BCE notou que muitos dos planos sugerem que os trabalhadores desempenhem funções em mais do que uma entidade do grupo, o que, considera a divisão de supervisão, “pode limitar a independência, criar conflitos de interesse e resultar em menos tempo disponível para as funções necessárias”. “A supervisão bancária do BCE espera que as funções de controlo e a governança local sejam suficientemente independentes e que os bancos tenham as suas equipas a trabalhar localmente”, lê-se na news letter.

O BCE espera continuar o diálogo com os bancos sobre o Brexit nos próximos meses.

O BCE anunciou, entretanto, que a rentabilidade dos bancos da zona euro continua a ser um risco devido ao elevado número de créditos duvidosos que têm em carteira. No seu relatório semestral, o BCE aponta como desafios “o excesso de capacidade, a falta de diversificação de receitas e a ineficácia dos custos”.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.