Mercado

Banco Yetu investe em dívida pública

03/11/2016 - 11:06, Banca

“A função creditícia do Banco Yetu ainda é muito incipiente”, diz CEO do banco.

Por Fernando Baxi

fernando.baxi@mediarumo.co.ao

O Banco Yetu investiu pelo menos 50% do seu activo em títulos de dívida pública, durante o primeiro ano de exercício, informou o presidente da comissão executiva daquela instituição bancária nacional, André Lopes, em entrevista exclusiva ao jornal Mercado.

A aplicação de metade dos recursos no respectivo instrumento financeiro (títulos da dívida pública), como explicou o PCE do Banco Yetu, decorre porque a função creditícia naquela instituição financeira angolana ainda é incipiente e observam-se alguns constrangimentos para o respectivo acesso, aliás um obstáculo verificado no sistema bancário angolano.

“O nível de crédito concedido à economia hoje, permite-nos ter uma taxa de transformação de 6%; por isso, entendemos que aqui devemos fazer um reforço.”
Tal quadro poderá ser invertido brevemente, nomeadamente com a adesão daquela instituição financeira angolana ao projecto Angola Investe, programa gizado pelo Executivo, tendo em vista o processo de diversificação da economia.

Para André Lopes, existe um conjunto de factores, na maioria deles exógenos aos próprios bancos, que limitam o acesso ao crédito; sobretudo a qualidade dos projectos e a inexistência de garantias.

“Muitas vezes os empresários têm bons projectos, mas não conseguem dar garantias acrescidas para que os bancos possam de facto mitigar os riscos inerentes ao crédito”, declarou o PCE do Banco Yetu, uma das 28 instituições bancárias angolanas, cuja inauguração foi a 17 de Setembro de 2015 com um capital social de 3 mil milhões Kz.

O registo e execução das hipotecas constituem também constrangimentos para a concessão de crédito bancário, aspectos ligados ao registo de propriedade e com o funcionamento dos tribunais, quanto à observância dos dois elementos focados.

Evolução da carteira dos depósitos

O Banco Yetu registou um crescimento na carteira de depósitos nos primeiros doze meses de actividade, tendo inclusive superado as expectativas geradas aquando da constituição, cujo mercado alvo é o corporate e private banking.
A evolução positiva da carteira dos depósitos é bastante animadora, a comercialização , nos meses de Julho e Agosto, dos produtos de poupança denominados depósito a Prazo Power, ajudando àquele banco passar de 26.º para 18.º melhor, no conjunto dos 28 bancos angolanos, relativamente ao quesito citado, como informou André Lopes, durante a entrevista.

O sucesso alcançado com a comercialização dos depósitos Power é, igualmente, consequência do esforço feito pela equipa comercial, no sentido de captar clientes, assim como depósitos, argumentou o responsável pelo comissão executiva do Yetu.

Robustez do activo

Enquanto banco novo no sistema bancário, o BY está sob uma gestão financeira prudente, quer do ponto de vista dos financiamento, quer dos investimentos ligados à expansão da actividade, de forma a assegurar um crescimento sustentável, garantiu André Lopes, que já foi vice-governador do Banco Nacional de Angola para a supervisão bancária.

“O banco começou a actividade com um capital social na ordem dos 3 mil milhões Kz e, em Setembro de 2016 o seu activo total chegou à fasquia dos 14 mil milhões Kz. Portanto, há um crescimento do activo que no fundo reflecte do crescimento da carteira de depósitos.”

A instituição financeira Banco Yetu adoptou uma política rigorosa de prestação de contas, diante do conselho de administração, dos accionistas, bem como do regulador (BNA). Neste âmbito, a equipa gestora tem tido a oportunidade de confrontar os números com aquilo que são as expectativas. O orçamento aponta para aceleração, quanto ao período de recuperação do investimento, face à aplicação de uma política financeira cuidada a fim de evitar custos de estrutura elevados e desta forma assegurar o equilíbrio permanente da estrutura de balanço.

Assim, na perspectiva de André Lopes, economista de formação, se o BY continuar a implementar a política inserida no seu plano de negócios, a nível de execução, poderá recuperar o investimento aplicado dentro dos prazos previstos.

A aposta em recursos humanos nacionais constituiu um dos principais desafios do banco aquando do início da actividade, apesar de ter recorrido à consultoria de técnicos expatriados para instalação das soluções informáticas.

 

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