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Bancos apostam mais em títulos

27/02/2017 - 10:38, Banca

Os bancos têm limitado o crédito devido às incertezas relativas às garantias, à qualidade do crédito e, sobretudo, ao risco do malparado.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

Grande parte dos bancos comerciais angolanos registou um crescimento na carteira de títulos e valores mobiliários, até ao terceiro trimestre de 2016, tornando-se no instrumento financeiro de maior peso na constituição do activo, em substituição do volume de crédito, como se pode constatar das demonstrações financeiras publicadas. O crescimento da carteira de títulos e valores mobiliários resulta de um fluxo maior na transacção interbancária do respectivo instrumento financeiro, se comparado com outros, particularmente o crédito, há muito considerado a principal ferramenta das instituições bancárias, enquanto agente propulsor de desenvolvimento.

No Banco de Fomento Angola (BFA), a aposta na transacção de títulos e valores mobiliários é remota, sobretudo em 2010, quando a quota da carteira representava 43,4% da constituição do activo. Naquele período, o volume de crédito foi de 24,4%.

Até ao terceiro trimestre de 2016, a carteira dos títulos e valores mobiliários representou 46,9% da constituição do activo, ao passo que a do crédito fora de 18,2%.

Houve uma queda na actividade creditícia no BFA, durante o período referenciado, como se pode observar dos indicadores acima descritos; o que deixa depreender menor contributo na alavancagem da economia, partindo do pressuposto da importância das instituições financeiras como principais financiadores do sector empresarial privado.

Face à aposta naquela ferramenta financeira, o BFA é, dos quatro maiores bancos comerciais no sector bancário nacional, o que menos crédito concede no último exercício. Apesar da actual conjuntura macroeconómica, o BPC detém o melhor registo.

A mesma situação verificou-se no Banco Angolano de Investimento (BAI), outro “gigante” do sistema financeiro nacional; o maior em activos até ao terceiro trimestre de 2016, como pôde constatar o jornal Mercado das demonstrações financeiras.

Naquela instituição bancária angolana (de capital inteiramente nacional), a quota da carteira de títulos e valores mobiliários corresponde a 42,7% do activo, enquanto a do crédito ficou em 27,9%. Face aos indicadores expostos, o BAI concedeu mais crédito em relação ao BFA, no período financeiro ora analisado (terceiro trimestre de 2016).

Relativamente à carteira de crédito, o BAI registou um crescimento de 4%, para 14,1 mil milhões Kz, comparativamente ao exercício homólogo transacto (2015).
A instituição bancária em causa foi a que mais crédito concedeu no período analisado, superada apenas pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC), sociedade de capital público, sob processo de reestruturação financeira, face à gerência da gestão cessante.

O indicador da actividade creditícia do BAI melhorou em relação a 2015, cujo registo foi de uma quebra na ordem dos 3,2% na carteira de crédito, face ao exercício homólogo. Ainda no período em análise, o BIC verificou movimento semelhante ao dos bancos supracitados, BFA e BFA.
O volume dos títulos e valores mobiliários teve uma quota de 47,9% sobre o total do activo, calculado em 1,1 biliões Kz. No mesmo período, a carteira de crédito teve um peso de 29,3%, tido diminuto para a dimensão do BIC.

Até ao exercício financeiro de 2012, a instituição liderada por Fernando Teles tinha o crédito como principal instrumento financeiro, no que tange a constituição do activo. Ainda assim, o Banco BIC é dos principais parceiros do Executivo no projecto Angola Investe, ligado ao potenciamento do sector privado.

Os bancos intermédios

A transacção de títulos e valores mobiliários é um apanágio dos bancos de maior dimensão (BFA, BIC e BAI), excepto o BPC. O Caixa Angola é das instituições bancárias de média dimensão que também apostam no citado instrumento. Alguns mantiveram-se fiéis à estratégia inicial, de ter como foco a cedência de crédito para o investimento.

No Banco Sol, um dos maiores defensores do microcrédito, a aposta no crédito durou até 2014, nos períodos subsequentes viu-se obrigado a inverter a filosofia de actuação.

As instituições bancárias têm limitado a actividade creditícia, face às incertezas, relativamente às garantias, à qualidade do crédito e, sobretudo, ao risco do malparado, na perspectiva dos peritos em contas do BS contactados pelo jornal Mercado.

Com a transacção de títulos e valores mobiliários, os bancos conseguem recursos para aguentar o actual momento macroeconómico; limita o financiamento ao sector privado, mas verifica-se um maior apoio aos investimentos do Estado; defendem.

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