Mercado

BDA financia 544 projectos agrícolas no valor de 43 mil milhões kz

21/12/2016 - 17:00, Banca, Banca

A estrutura bancária apoiou perto de 960 projectos, representando a carteira de crédito 241 mil milhões Kz.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

Em nove anos, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) financiou 544 projectos agrícolas no valor de 43 mil milhões kz, representando 63% do número total de projectos suportados, segundo o Relatório sobre Desenvolvimento Nacional publicado nesta semana pela instituição financeira.

Publicado no quadro dos 10 anos de actividade do BAD, o relatório refere que neste período de actividade a estrutura bancária apoiou perto de 960 projectos, representando a carteira de crédito 241 mil milhões Kz.

Deste montante, refere o documento de 383 páginas, 65% foram cabimentados a projectos individuais nos sectores da agricultura, pecuária, indústria, construção civil e comércio e serviços, conforme esclarece o documento do BAD.

O relatório acrescenta ainda que outros 20% (referente à carteira de crédito) do BAD representam projectos de risco partilhado com outras instituições financeiras (bancos comerciais) e 13% no apoio às manchas agrícolas e 25% em créditos sociais.

Influência negativa

No entanto, o banco reconhece que “alguns factores externos ao banco colocaram a carteira de crédito sob forte pressão”. Deste modo, 70% do total de crédito concedido pelo BDA (241 mil milhões Kz) encontrava-se, até 2014, em inadimplência, ou seja, com crédito vencido há mais de um ano.

A questão levou à mobilização de provisões que chegaram a uma cobertura de aproximadamente 50% da carteira de crédito no final de 2015.

“Havia a perspectiva de, nos próximos 12 meses, 46 mil milhões Kz de crédito, que estavam em período de carência correrem o risco de entrar em inadimplência.

“Adicionalmente, os 51 mil milhões, que estavam em inadimplência mas ainda não provisionados, tinham alta probabilidade de obrigar a mobilização de provisões suplementares”, refere o relatório.

Neste contexto, sublinha ainda o documento, era de esperar que os capitais próprios (66 mil milhões Kz) fossem, maioritariamente, consumidos e que os rácios de solvabilidade descessem para patamares de 2%-3% no final de 2017.

A garantia de colocar os rácios de solvabilidade nos patamares de 10% constitui assim uma preocupação do banco, priorizando o financiamento através do seu balanço.

“Assim, o BDA reduziu os montantes de crédito atribuídos a novos créditos e a projectos sem viabilidade clara, por forma a evitar a contínua degradação da carteira de crédito enquanto preparava solução estrutural para os problemas identificados”, lê-se.

Para fazer face a esta situação e adequar as estruturas do BAD, a estrutura financeira sublinha no relatório que foi preparado neste ano o programa de transformação que procura a sustentabilidade do banco.

O programa passaria, no entanto, por uma avaliação detalhada e pela segmentação de projectos individuais, cerca de 65% do total da carteira de crédito, identificando a viabilidade dos mesmos.

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