Mercado

BFA reduz crédito no terceiro trimestre

18/11/2016 - 11:09, Banca

“A redução do crédito é devido a fraca qualidade dos projectos apresentados e falta de garantias para avalizarem os créditos solicitados.”

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

No período análogo transacto, a quantia disponibilizada para o crédito foi calculada em 30,8 mil milhões Kz.

A diferença dos montantes (75,2 mil milhões Kz), nos exercícios supracitados, ilustra a quebra acentuada do contributo do BFA no crescimento da economia, numa etapa considerada crucial, face à realidade macroeconómica do País.

Se a análise da contribuição creditícia daquele banco for calculada a partir da carteira de crédito dos respectivos períodos, o resultado será diferente, podendo ocultar a realidade e deturpar a conclusão, depois de, escrupulosamente, verificados os elementos constitutivos dos balancetes, alusivos ao terceiro trimestre de 2015 e 2016.

A carteira de crédito no terceiro trimestre de 2016 ficou quantificada em 238,7 mil milhões Kz, enquanto a do exercício homólogo passado, em 218,8 mil milhões Kz. A diferença espelha um crescimento de 9,1%, para aproximadamente 20 mil milhões Kz

Como se pôde acima verificar, a conclusão a que se chegou, relativa à evolução creditícia do BFA no exercício em voga, teria outro sentido, caso a respectiva análise fosse baseada nos cálculos efectuados a partir da carteira de crédito que tem sido a prática comum.

Também pelo rácio de transformação de depósitos em créditos é possível perceber que a estratégia do Banco de Fomento Angola, instituição bancária mais lucrativa no sistema financeiro angolano, passa pela contracção da cedência de crédito, principalmente no terceiro trimestre de 2016, face à conjuntura económica do País.

Desalavancagem do crédito

Relativamente ao rácio de transformação de crédito em depósitos, no período financeiro supracitado, ficou taxado a 20,7%, menos 1,1 ponto percentual, comparativamente a 2015, cuja taxa foi de 21,8%. Este fenómeno resulta da estratégia de desalavancagem de crédito implementada por aquela instituição bancária nacional.

Este processo (desalavancagem) está ancorado na redução do crédito para que o banco obtenha um rácio melhor entre os depósitos e créditos.
Se é uma modalidade favorável para o BFA, traz consequências negativas para a economia, porque reduz o financiamento, elevando assim o esforço das empresas, bem como das famílias.

O fenómeno remete o BFA a uma tarefa complexa, pois terá de captar mais depósitos e cortar financiamento à economia. Assim, pode-se afirmar que a maior instituição financeira, no segmento da banca privada, dá pouca importância ao objecto clássico, a intermediação bancária, resumida na captação de depósitos e cedência de créditos.

Apesar da crítica, a desalavancagem é necessária para manter a estabilidade financeira do BFA ou seja de qualquer banco, embora o crédito bancário seja um produto financeiro fundamental porque funciona como mola propulsora para o crescimento económico.
Fernando Vunge, economista e ligado ao sector bancário, refuta a ideia de que a banca tem limitado a concessão de crédito, sobretudo na fase declinar do presente exercício financeiro. “Os bancos estão a implementar melhor os mecanismos prudenciais e regulamentares para prevenirem o risco de inadimplência (incumprimento).”

Por outro lado, a redução do crédito é também devido a fraca qualidade dos projectos apresentados, assim como pela falta de garantia para avalizarem os créditos solicitados, afirmou o economista Fernando Vunge em declaração ao jornal Mercado.

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