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BFA transacciona meio milhão de yuans no comércio com China

30/07/2015 - 14:24, Banca, Banca

O dólar norte-americano começa a deixar de ser a moeda de referência cambial nas trocas comerciais entre Angola e China, com a primeira operação concretizada pelo BFA na última semana.

Por Fernando Baxi / Fotografia Carlos Muyenga

O Banco de Fomento Angola concretizou na passada terça-feira a primeira operação de transacção directa de moeda chinesa, nas trocas comerciais entre China e Angola, equivalente a 80 mil USD, afirmou ao Mercado o CEO do banco.
“Dispensamos o dólar, euro e outras moedas internacionais conhecidas, porque a nossa intenção é que o relacionamento bancário com empresas que importam a partir da China possa ser feito na moeda chinesa, e fizemos uma operação para confirmar o novo serviço”, disse Emídio Pinheiro.
O CEO disse que, tratando-se de uma primeira operação cambial directa entre yuan e kwanza, considerada pelo banco como histórica no País e bem-sucedida, o valor transaccionado tem menos relevância face ao que está previsto de agora em diante no processo de importação proveniente da China.
“O importante para nós é que, depois de um longo processo para reunir as condições operacionais e definir os procedimentos para fazer pagamentos para a China, na sua própria moeda, chinese yuan, concretizámos com total sucesso um primeiro pagamento no valor de 80 mil USD.”
O montante transaccionado, por agentes económicos dos respectivos países, equivalente a meio milhão de yuans, é considerado apenas uma operação inicial que abre portas para operações de elevado montante financeiro.
Segundo o Emídio Pinheiro, esta nova alternativa irá facilitar em muito o processo de pagamentos de importações oriundas da China, num momento em que o gigante asiático se afirma, de forma crescente, na economia angolana.
O CEO diz também que se abre um processo em que as relações comerciais sino-angolanas poderão ter menos riscos de flutuações cambiais, porque serão feitas à base da paridade cambial entre o kwanza e yuan, cujo câmbio praticado pelo banco na venda de notas, até sexta-feira passada, era de 1 yuan para 21,574 Kz.
Considera relevante a nova modalidade cambial, porque torna acessíveis as importações a partir da China e aviva as relações bilaterais, no quadro da cooperação económica, entre Angola e China.
A nova modalidade cambial, segundo o banqueiro, terá também muita adesão no seio da comunidade empresarial chinesa radicada em Angola, porque terão a possibilidade de transaccionar com o yuan.
Independentemente de o Banco de Fomento Angola adoptar o sistema de paridade cambial entre o kwanza e o yuan, as operações comerciais com a China ainda podem ser efectuadas com dólares norte-americanos, com euros ou com outras moedas de cotação internacional, pois “a opção pela divisa a utilizar vai depender apenas da vontade dos clientes”.

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