Mercado

Taxa BNA segue ritmo do Brasil e África do Sul

06/08/2015 - 16:49, BNA

A taxa de juro de referência do Banco Nacional de Angola acompanha a estratégia macroeconómica da África do Sul e Brasil, as únicas economias que, num grupo de 18 analisadas pelo Mercado, aumentaram as taxas em Junho e Julho do ano corrente.

Por Fernando Baxi e André Samuel | Fotografia Njoi Fontes

A Taxa Básica de Juro do Banco Nacional de Angola passou de 9,75% para 10,25% ao ano, após decisão do Comité de Política Monetária, a 27 de Julho de 2015, reflectindo um aumento de 0,5 pontos percentuais.
O Brasil e a África do Sul estão a atravessar períodos semelhantes ao da economia nacional, ao agravarem as taxas de referência de seus sistemas interbancários, em Julho último, de 13,250% para 13,750% – para o país sul-americano, que aumentou 3,5 pontos percentuais – e de 5,750 para 6,00 para a maior economia africana, que cresceu 0,250 pontos percentuais.
Há meses que o jornal Mercado tem recolhido opiniões de analistas sobre o assunto, pois o ajustamento da taxa de referência tem sido sucessivo e é o terceiro ao longo do primeiro semestre findo, o que, certamente, poderá contrair os investimentos no sector privado, um dos pilares do crescimento socioeconómico.
A subida da Taxa Básica de Juro BNA resulta da actual realidade macroeconómica da economia nacional, refreada por uma austeridade fiscal, como reconheceu José Pedro de Morais, o governador do banco central, em consequência da baixa do preço do petróleo – principal commodity de exportação – no mercado internacional.

África do Sul e Brasil
O banco central da África do Sul viu-se forçado, no final de Julho último, a elevar a taxa básica de juro de 5,75% para 6% ao ano, face à contracção da economia sul-africana, motivada pela quebra dos preços das principais commodities no mercado internacional que se ressente da pouca procura do petróleo.
É a segunda alteração da taxa básica de juro do Banco de Reserva Sul-africana (SARB, na sigla inglesa), a primeira variação ocorreu de Janeiro deste ano, e foi incrementada em 0,55 pontos percentuais, quando passou de 5,25% para 5,75% ao ano.
A economia sul-africana tem como principais commodities de exportação o ouro (18%), platina (7,8%), carvão mineral (7,4%), diamante (7,3%) e minério de ferro (4,8%).
No Brasil, a realidade económica é de maior austeridade fiscal. O banco central, através do seu Comité de Política Monetária, aumentou a taxa básica de juro, em Julho último, de 13,25% para 13,75% ao ano, numa altura em que as principais commodities de exportação do país sul-americano estão em queda nos mercados de referência.

A crise das commodities
O mundo desenvolvido entrou na Grande Recessão conforme assumiu a directora do FMI, Christine Lagarde, em final de 2014, com as matérias-primas em máximos históricos de queda, causando a chamada crise das commodities.
Em análise feita pelo Mercado, com suporte de especialistas, pelo facto de Angola, África do Sul e Brasil terem aumentado as taxas de referência de seus sistemas interbancários, pelos respectivos bancos centrais, observa-se que as commodities de exportação destes países têm a China como grande cliente.
O petróleo bruto representa 98% das exportações de Angola, o ouro pesa 18% nas exportações da África do Sul, e o minério de ferro, nas exportações do Brasil, atinge 13%. Trata-se das principais commodities de exportação destes países.
Por sua vez, a China importa 61% do petróleo bruto de Angola, 8,3% do ouro da África do Sul e 17% do minério de ferro do Brasil. Em Julho último, a crise chinesa arrastou as commodities aos menores preços dos últimos 13 anos. O ouro caiu acima dos 8% a acelerar para os dois dígitos, desde o início do ano, enquanto o petróleo bruto quedou-se aos 50%.
Na sexta-feira passada, 31 de Julho, o índice de preços de minério de ferro compilado pela Metal Bulletin mostrava que o metal perdeu 2,23 USD, equivalente a 4%, e caiu, naquele dia, para 53,41 USD a tonelada.
O minério de ferro é medido em toneladas métricas base seca, sem humidade. Na prática, este preço é para minério com 62% de teor de ferro entregue no porto de Qingdao, na China, no prazo de oito semanas na modalidade custo e frete.
Segundo a Bloomberg, uma das maiores minas de ferro da África do Sul, a de Thabazimbi, da Kumba Company, filial da norte-americana Anglo American, encerrou face à crise mundial do minério, após mais de 80 anos de actividade. O ferro representa 4,8% das exportações da África do Sul e 5,3% das importações da China.
O que existe por trás dessa queda? A visão dos analistas consultados tem um denominador comum para o motivo das variações. “A China é o maior consumidor mundial de matérias-primas, e suas oscilações internas afectam o resto”, explica Gabriel Stein, da Oxford Economics à Bloomberg.
As mostras de “debilidade” da segunda maior economia global, cita a Bloomberg, que compra e processa matérias-primas para transformá-las em produtos que depois vende a meio mundo, acrescidas pelas recentes quedas em suas bolsas, derrubaram o mercado.

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