Mercado

Carteira de crédito dos big four cresceu 11% em 2016

22/05/2017 - 15:12, Banca, Banca

Millennium Atlântico detinha, no final do ano passado, a maior carteira de crédito entre os quatro principais bancos privados em Angola. BAI foi líder nos depósitos.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

A carteira de crédito dos quatro maiores bancos privados que operam em Angola atingiu cerca de 1,4 biliões Kz no final do ano passado, o que reflecte um crescimento de 11%, face a 2015, quando o agregado rondou 1,3 biliões Kz, de acordo com cálculos do Mercado, baseados nos resultados de 2016 das instituições.

Do conjunto analisado – Banco Angolano de Investimento (BAI), Banco de Fomento Angola (BFA), BIC e Millennium Atlântico – cabe a este último a maior parcela da carteira, avaliada em cerca de 490,7 mil milhões Kz, ou seja, 34% do total da carteira.

A ‘pujança’ do Atlântico relativamente ao crédito é resultado da fusão entre o Banco Privado Atlântico (BPA) e o Banco Millennium Angola (BMA) que se verificou em 2016. Quando o negócio foi anunciado, recorde-se, Carlos Silva, presidente do conselho de administração do Atlântico, sublinhou que se estava a criar um organismo “robusto, inovador e com experiência para enfrentar os desafios do País”.
Os desafios que a instituição se propôs enfrentar, desde o anúncio da fusão, são de índole financeira e económica, com foco no apoio às famílias e empresas. A fusão entre os dois bancos resultou numa instituição com uma quota de 10% a nível dos depósitos e 13% nos créditos, que também passou a ser o principal contribuinte do Programa Angola Investe.

Com o surgimento do Banco Millennium Atlântico no mercado bancário, o BAI perdeu o estatuto de principal instituição financeira, relativamente ao crédito. Antes, o banco liderado por José de Lima Massano era superado apenas pelo público Banco de Poupança e Crédito (BPC), actualmente em reestruturação.

No final do ano passado, a carteira de crédito do BAI estava avaliada em cerca de 379,9 mil milhões Kz, o que representa aproximadamente 26% do total.
O ‘peso’ do BIC era de 24%, correspondente a 340,3 mil milhões Kz.

Por fim, a carteira do BFA ascendia, no final do ano passado, a cerca de 235,3 mil milhões Kz, ou seja, 16% do total. O banco mais lucrativo do sistema está entre as maiores instituições financeiras que menos crédito concedem, quer seja às famílias, quer às empresas ou particulares.

“Banca deve apoiar mais empresários”

“A maioria dos bancos, principalmente os de grande dimensão, investe a maior parte do capital em títulos de dívida pública, quando deveriam canalizar recursos para os empresários que, investindo na economia, criam mais postos de trabalho e riqueza para as famílias”, defende Diógenes André, economista e docente universitário.

Apesar de estas aplicações financeiras estarem em isentas de riscos, reconhece, Diógenes André defende que, pelo facto de o Estado garantir o retorno do capital investido, as instituições financeiras “têm o dever de participar na estabilidade económica do País, através do financiamento de projectos de desenvolvimento”.

Salvador Pereira Van-Dúnem, também economista, lembra que a economia angolana “atravessa um momento complexo” e que os bancos estão “entre os principais visados” pela situação. Por isso, afirma, “devem primar por estratégias viáveis para sobreviver à crise. A contenção do crédito é uma delas, até porque o malparado no sistema financeiro já é preocupante”.

Em contrapartida, defende que a banca comercial deve “apoiar os sectores estratégicos”, tendo em conta o processo de diversificação da economia, que “jamais será concretizado num período de 10 anos”. “Emprestar ao Estado pode ser uma acção contraproducente”, alerta, aludindo à compra de títulos de dívida pública.
BAI lidera depósitos

Relativamente a depósitos, o BAI detinha, no final do ano passado, a maior carteira, avaliada em cerca de 1,13 biliões Kz. A do BFA rondava 1,07 biliões Kz, a do BIC, 816,3 mil milhões Kz, enquanto a do BMA ascendia a 741,9 mil milhões Kz.

Tendo em conta os rácios entre ambas as carteiras, o BMA é o banco com o maior rácio de transformação (66,1%), seguido por BIC (37,3%), BAI (33,4%) e BFA (21,8%).

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