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Contas de BFA e BAI aprovadas com reserva

18/05/2018 - 09:31, Banca, featured

PwC ‘reprova’ provisões para riscos macroeconómicos e de estabilidade financeira constituídas pelo BFA, em 2017, no montante de 1,6 mil milhões Kz.

Por Fernando Baxi

As contas dos bancos BFA, BAI e StandardBank Angola, do exercício económico 2017, foram aprovadas com reservas pelos respectivos auditores, apurou o Jornal Mercado.A posição dos auditores (PwC e KPMG) reside no facto de os bancos citados decidirem não aplicar as disposições previstas na IAS 29 (relato financeiro em economias hiperinflacionárias) nas demonstrações financeiras do exercício económico transacto, o que terá impossibilitado o apuramento efectivo das suas contas,
tornadas públicas.

“Não obtivemos, contudo, informações suficientes que nos permitam quantificar com rigor os efeitos desta situação nas demonstrações financeiras do banco em 31 de Dezembro de 2017, que entendemos serem significativos”, explicou a PwC, no relatório apresentado, no qual demonstra as bases de reserva às contas do BFA.

Nos pareceres expressos (em documentos distintos) as auditoras aludidas concluíram que, em 2017, a taxa de inflação acumulada, nos últimos três anos, aproxima-se ou ultrapassa os 100%, dependendo do índice utilizado, “existindo igualmente a expectativa de que continuará a exercer cumulativamente os 100% em 2018”.

Na opinião da KPMG e da PwC, exposta nos relatórios de auditores publicados, tal facto é uma condição quantitativa objectiva que leva a considerar, para além de outras condições previstas na IAS 29, que a moeda funcional das demonstrações dos bancos em 31 de Dezembro de 2017 corresponde à de uma economia hiperinflacionária. Nestas circunstâncias, como consideram dos respectivos auditores, os bancos em causa deveriam ter apresentado as demonstrações financeiras naquela data, “atendendo àquela premissa e de acordo com as disposições previstas na IAS 29”, que também “estabelece a reexpressão das demonstrações financeiras passadas”.

Provisões do BFA sem avaliação técnica

À luz das normas internacionais de relato financeiro, a auditora PWC considera que não se encontram reunidas as condições técnicas para o reconhecimento da provisão para riscos macroeconómicos e de estabilidade financeira constituída pelo BFA, no montante de 16,59 mil milhões Kz, durante o exercício económico 2017. “Pelo que, nestas circunstâncias, a rubrica de provisões encontra-se sobrevalorizada em 16.592.400 milhares de Kwanzas e resultado líquido do exercício encontra-se subavaliado no mesmo montante”, explica a auditora “PWC”, no relatório supracitado. Apesar de opinar com reserva, a PWC concluiu que as demonstrações financeiras foram apresentadas de forma apropriada. A posição financeira, o desempenho e fluxos de caixa do exercício 2017 estão em conformidade com as IFRS. Por faltar à incorporação das disposições IAS 29 nas demostrações financeiras, os activos não-monetários do SBA, na opinião da KPMG, encontram-se subavaliados em 1,6 mil milhões Kz, os passivos não-monetários estão subavaliados em 651 milhões Kz, o resultado líquido do exercício está sobreavaliado em 4,084 mil milhões Kz.

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