Mercado

Depósitos estruturados devem apresentar informação clara

27/03/2017 - 16:23, Banca

“Realizou-se estudo que demonstrava a dificuldade para o investidor individual entender a construção, o valor real e os riscos associados a estes tipos de produtos.”

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mercado.co.ao 

Alguns bancos angolanos incluíram na lista de oferta ao cliente um conjunto de produtos financeiros estruturados que, face à complexidade dos mesmos, mereceu a crítica de analistas, tendo estes advertido as instituições bancárias a primar por uma acção mais esclarecedora para evitar dúvidas aos investidores, ávidos em obter rendimentos.

Na maioria dos casos, os produtos estruturados constituem aplicações financeiras cuja rendibilidade está indexada à evolução de um determinado activo subjacente. O petróleo Brent é o mais indicado para a realidade angolana; mas, noutras realidades, acções de empresas rentáveis, ouro e títulos bolsistas também servem de referência.

Um produto estruturado também designado por instrumento financeiro complexo pode igualmente ser indexado às taxas de câmbio. É tido como mais atractivo nas economias onde se registam flutuações cambiais constantes, acompanhadas pela depreciação do valor da moeda nacional, diante das principais divisas, sobretudo o dólar americano.

Aos respectivos instrumentos financeiros associam-se vantagens dos depósitos, do qual há preservação do capital e garantia absoluta de rendibilidade, principalmente quando é indexado às taxas de câmbios, na perspectiva de Raul de Oliveira, diplomado em Análise e Gestão Financeira, que considera razoável para a realidade angolana.

Embora sejam, aparentemente, favoráveis aos investidores, a desvantagem dos mesmos consiste na complexidade em perceber o valor real das promessas, liquidez limitada ou excessivamente penalizada, taxa real efectiva final inferior ao valor máximo prometido numa forte proporção dos casos, defende Raul Oliveira.
“Os instrumentos financeiros complexos são recentes na banca nacional, mas em mercados mais evoluídos, como Portugal por exemplo, realizou-se um estudo em 2010 que demonstrava a dificuldade para o investidor individual entender a construção, o valor real e os riscos associados a estes modelos de produtos”, afirmou.

Tal facto motivou as instituições de regulamentação financeira a obrigar os bancos (interessados em comercializar tais produtos) a reforçar a informação, bem como limitar a publicidade dos respectivos instrumentos “até considerados contranatura”.
Apesar da advertência dos entendidos na matéria, assim como das instituições reguladoras (nos países mais familiarizados com os instrumentos financeiros complexos),para a necessidade de redobrar os níveis de transparência na comercialização, cabe aos investidores decidir se devem apostar nas respectivas aplicações financeiras.

“Um investidor tem a obrigação de reflectir com exaustão a fim de perceber as características dos produtos a subscrever, mas para isso deverá receber do banco toda a informação exigida, como forma de se evitar quaisquer equívocos sobre o assunto.”
Policarpo Fragoso, diplomado em Gestão Bancária, aconselha o investidor a prestar muita atenção ao perfil de risco, aliado à informação sobre ao produto, porque aí reside a chave do sucesso para a aplicação feita. “Os depósitos indexados são mesmo complexos, por isso os interessados devem ponderar antes de investir”, diz.

Para aquele gestor bancário, que se mostra entendido na matéria, as comissões associadas a estes produtos são, possivelmente, uma das principais desvantagens, razão pela qual aconselha a busca de instrumentos financeiros com prémios em conta.
“Tenham atenção, porque existem produtos bancários que estão longe de garantir remuneração mínima, sobretudo os indexados a um activo financeiro mais volátil.”

Aspectos fundamentais a ter em conta, relativamente aos produtos estruturados, na perspectiva dos analistas referenciados, à semelhança do mercado europeu.

Prospecto: É uma peça vital para o investimento, sobretudo para perceber o que está na base das rendibilidades futuras. A leitura atenta do documento poderá ser a chave do sucesso.

Existem aspectos relevantes expressos no documento de informação sobre o produto tais como:

Caracterização do produto: É um dos aspectos mais importantes quando vai subscrever o produto financeiro complexo. Nesta rubrica vai conhecer em traços gerais e as características.

Garantia de capital: Aqui está um dos pontos-chave para o sucesso do depósito. É nesta área que sabe se tem ou não garantia de capital no final do prazo ou durante o investimento.

Garantia de remuneração: Tal como o ponto anterior, este item é importante para o futuro do seu produto. Existem produtos que não garantem remuneração mínima, sobretudo porque estão indexados a um activo financeiro mais volátil. Tenha atenção.

Factores de risco: Existem diversos factores de risco para os produtos financeiros complexos, consoante as características do mesmo. Os mais importantes são o risco de mercado, o de crédito e o de liquidez.

Os depósitos indexados ao dólar e ao Brent são os produtos financeiros estruturados postos à disposição dos clientes por parte dos bancos Keve, Crédito do Sul, Prestígio e BNI. Pela evolução do mercado há tendência de introdução de outros.

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