Mercado

E se o BCE ficar sem títulos para comprar?

03/09/2015 - 16:23, Banca, Banca

Ao ritmo actual, a oferta de títulos elegíveis esgotar-se-á em Março de 2016, seis meses antes do final do programa.

O Banco Central Europeu (BCE) está, desde Março, a adquirir títulos num esforço para estimular a economia da zona do euro, o chamado programa de quantitative easing. Os responsáveis pela política económica em Frankfurt enfrentam, no entanto, um dilema: o que fazer quando ficarem sem títulos para comprar. Ao actual ritmo, o BCE esgotará a oferta de títulos elegíveis em Março, segundo o Barclays. A falta de emissão líquida dos governos da zona do euro está a restringir a disponibilidade de títulos, e o BCE disse recentemente que as aquisições de bonds com garantias hipotecárias estão a tornar-se num desafio.
O presidente Mario Draghi pretende manter o programa de quantitative easing até Setembro de 2016. Apesar de 85% dos economistas consultados pela Bloomberg considerarem que o BCE continuará a cumprir a meta de 60 mil milhões de euros (66 mil milhões USD) por mês, uma escassez de activos poderá exigir um ajuste na forma como a instituição efectua a compra. “Isto vai acabar mal”, afirma Jussi Harju, estratega do Barclays em Frankfurt. “A escassez de certos activos vai exigir uma reacção por parte do BCE, que poderá adoptar uma lista expandida de títulos elegíveis.” O BCE já mostrou flexibilidade na abordagem do programa. O membro da Comissão Executiva Benoît Cœuré disse, em 18 de Maio, que o Banco Central aumentaria o ritmo de compras de títulos para combater a liquidez mais baixa dos meses de Verão.
Por enquanto, as aquisições conseguiram estimular o mercado de títulos. Os yields dos bonds espanhóis a dez anos caíram para o valor mínimo recorde de 1,05% em 12 de Março, na primeira semana de compras do BCE, quando as negociações entre a Grécia e os seus credores azedavam. Embora o yield espanhol agora seja de 1,98%, o valor ainda equivale a menos de um terço dos 7,75% que tinha em 2012, um recorde para a zona do euro.
A instituição tentará aumentar o limite actual de aquisições de 25% de cada bond emitido pelos chamados mutuários supranacionais, como o Banco Europeu de Investimento, ou eliminará a alocação de 12% do seu total de compras de títulos do sector público.
No mercado de títulos com garantias hipotecárias, onde o BCE se limitou a um máximo de 70% de cada venda, o banco admitiu este mês que as aquisições estavam a complicar-se. Apesar de ter comprado 108,1 mil milhões de euros (121 mil milhões USD) desde Outubro, as aquisições de títulos têm vindo a declinar desde Junho.
Os bonds com garantias hipotecárias costumam ter ratings mais altos e yields mais baixos do que as notas sem garantia, por estarem garantidos pelo emissor e terem um conjunto designado de activos, tais como hipotecas e créditos do sector público, que poderá ser utilizado para os pagamentos.
O BCE pode também enfrentar dificuldades com a escassez de títulos soberanos. Contabilizando as amortizações, prevê-se que apenas Itália, Espanha, Irlanda, Finlândia e Holanda vendam mais dívida do que a que o BCE tem agendada comprar para o que falta deste ano, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Bloomberg/Mercado

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.