Mercado

O caminho para a independência alimentar

05/10/2015 - 18:33, Banca, Banca
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É das terras mais férteis do planeta, com uma área agrícola de mais de 50 milhões de hectares, mas o País importa cerca de 90% dos bens alimentares que consome. Um retracto actual da nossa agricultura. A diversificação da economia é um dos grandes desafios urgentes do País. Desde a independência, há 40 anos, as […]

É das terras mais férteis do planeta, com uma área agrícola de mais de 50 milhões de hectares, mas o País importa cerca de 90% dos bens alimentares que consome. Um retracto actual da nossa agricultura.

A diversificação da economia é um dos grandes desafios urgentes do País. Desde a independência, há 40 anos, as receitas do petróleo foram – e ainda são – essenciais para a nossa saúde económica e financeira.

Mas, numa altura em que o ouro negro enfrenta uma das suas maiores crises, com os preços do barril em valores baixos, a aposta em outras fontes de receita é essencial para o desenvolvimento. Entre os sectores económicos com mais potencial está a agricultura.

Angola possui 57 milhões de hectares de terra agrícola, incluindo mais de 5 milhões de hectares de solo arável. No entanto, o País importa cerca de 90% dos bens alimentares que consome, um verdadeiro contra-senso tendo em conta as potencialidades da nossa agricultura.

Em 2011, por exemplo, o saldo da balança alimentar foi de -3,9 mil milhões USD, cerca de 4% do PIB, e as exportações agrícolas e alimentares representaram apenas 0,5% das exportações.

Uma maneira rápida de compreender a escala da dependência alimentar do País é pegar numa série de pratos populares, como, por exemplo, muamba de ginguba. Comecemos pelo ingrediente principal.

Em 2011, segundo números da FAO (ver quadro nas páginas seguintes), Angola importou carne de frango no valor de 417,9 milhões USD. Passemos para a carne seca, outra receita popular.

Se o leitor preferir carne de porco, fique a saber que gastámos 50 milhões USD na sua importação. Mais sintomático dos problemas que o País enfrenta na sua direcção para a auto-suficiência alimentar é o caso do óleo de palma, um favorito nacional.

Apesar de ser produtor e exportador – em 2011, o valor da exportação do produto valeu 9 milhões USD – a produção é, claramente, insuficiente para dar conta do consumo nacional. No mesmo ano, importou-se óleo de palma no valor total de 212 milhões USD.

Leia o texto na íntegra na edição imprensa do jornal Mercado desta semana, nas bancas desde hoje, terça-feira, 6, com indicadores analíticos do peso da agricultura no PIB, os valores das importações, exportações e as opiniões de especialistas em agronomia.

Por: Paulo Narigão Reis

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