Mercado

Especialista aponta vantagens na regularização de sinistros

08/05/2017 - 16:12, Banca

A comercialização do seguro no País vai revolucionar o mercado, uma vez que as companhias têm de se adaptar aos sinais dos tempos e capacitar os seus funcionários.

Por Estêvão Martins 

estevao.martins@mediarumo.co.ao 

Um maior controlo das divisas no País e vantagens relacionadas com a regularização dos sinistros, no caso de perdas materiais por parte dos tomadores de seguros, são algumas das vantagens apontadas pelo especialista em transporte marítimo Eugénio Pedro.

Em exclusivo ao Mercado, à margem do workshop sobre Seguro de Importação de Mercadorias, realizado pela Academia de Seguros e Fundo de Pensões (ASFP), a fonte, que exerce também as funções de assessor e formador da instituição, adiantou que o aumento de volume de negócios no sector é outra das vantagens do produto.

Assim, de acordo com Eugénio Pedro, quando a mercadoria chega ao País, o importador tem meios suficientes para recorrer, a fim de reaver o seu bem, no caso de um sinistro, uma vez que as instituições estão sediadas em Angola.

“Se o seguro for pago no exterior, por exemplo, a situação fica mais complicada, pois, geralmente, o cliente tem de se deslocar ao exterior, no sentido de repor os danos”, disse.

Por experiência, Eugénio Pedro admitiu que muitos clientes chegam a perder as suas mercadorias, pelo facto de recorrerem às seguradoras internacionais. Por exemplo, explica, para um sinistro equivalente a 10 mil USD, para recuperar este valor, o importador tem de viajar outra vez para o país de origem, com despesas de viagens, gastos com a estada, alimentação, entre outros, daí que vale a pena perder o valor, uma vez que os gastos podem ser superiores ao produto.
Nova era

Em suma, segundo o especialista, que faz parte dos quadros da ENSA Seguros, o seguro no País vai revolucionar o mercado, dado que as seguradoras têm, igualmente, de se adaptar aos sinais dos tempos e de capacitar os seus funcionários para a nova realidade.

Considerando que mais de 70% dos produtos consumidos no País são provêm do exterior, Eugénio Pedro crê ser mais lógico que o seguro de mercadorias seja comercializado internamente, de forma obrigatória, para que se faça a competente retenção de divisas.

Entre os vários temas, o workshop, do qual tomaram parte representantes de seguradoras, empresas públicas e privadas e pessoas singulares, além de convidados, abordou os riscos inerentes ao transporte de mercadorias, as suas coberturas, as cláusulas que regem o seguro e, finalmente, os tipos de apólices para o asseguramento da mercadoria.

Tipos de apólices

O prelector esclareceu que, para o transporte de mercadorias, existem três tipos de apólices, nomeadamente, a apólice avulsa ou singular, usada em cada viagem; a apólice aberta, para viagens sucessivas, cujo pagamento é feito no final de cada unidade, e a apólice flutuante, que é pré-paga, ou seja, o cliente paga para o período correspondente a um ano, por exemplo, e vai fazendo as importações.

“Muitas empresas nacionais de grande dimensão já têm recorrido aos préstimos das seguradoras locais para a comercialização do seguro de importação de mercadorias”, assegurou Eugénio Pedro.

O que vai mudar, de concreto, segundo o especialista, é que o seguro passará a ser obrigatório para todos os importadores, com a aquisição do produto em termos FOB (Livre a Bordo), onde o comprador assume todos os riscos e custos, desde o transporte da mercadoria.

Kátia Ramos, chefe do departamento comercial da Confiança Seguros, entende que o pacote que vai ser agora aprovado, possibilitando a comercialização do seguro internamente, é bastante positivo, na medida em que vem não só ajudar as companhias de seguros a potencializarem-se mas, também, gratificar o mercado nacional, que tem estado a crescer.

No caso da Confiança Seguros, a interlocutora diz que aquela instituição tem estado a preparar toda a documentação inerente ao produto, além de treinar o pessoal que vai lidar com aquele segmento de seguro, dali a participação da companhia na acção de formação.

Por outro lado, segundo Kátia Ramos, o “novo” produto vai trazer uma mais-valia em termos de volume de negócios, não só da Confiança Seguros, como do mercado, de uma maneira global.

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