Mercado

Especialistas defendem maior adesão aos depósitos indexados

15/02/2017 - 11:15, Banca

Instituições financeiras que apostam mais neste instrumento financeiro estarão a ganhar vantagem pela captação imediata de novos fundos.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

O depósito indexado é a modalidade de poupança que mais se adapta à realidade do sistema financeiro angolano, face ao ritmo crescente da inflação na economia (26,66%), defendem especialistas abordados pelo jornal Mercado.

Os especialistas argumentam que a preferência no depósito indexado consiste no facto de o capital aplicado, a curto ou médio prazo, ficar imune às flutuações cambiais que normalmente resultam na desvalorização do kwanza, face à principal divisa no mercado monetário cambial (USD). “Esta aplicação financeira é suportada por uma cobertura de risco cambial”, dizem os especialistas.

Tendo em conta esses argumentos, o dólar norte-americano é a moeda preferencial para a indexação dos depósitos a prazo, como também defende Bernardeth Luís, economista, especializada em finanças, pela exposição à economia.

“Para além de salvaguardar o valor líquido do capital investido na aplicação e os juros daí resultantes, o depósito indexado (ao USD) também proporciona taxa de juro efectiva superior, comparativamente ao depósito a prazo convencional”, disse.

Normalmente, na perspectiva de Bernardeth Luís, as instituições financeiras, sobretudo os bancos, apostam no depósito indexado pelo facto de ser um instrumento financeiro que permite a captação imediata de fundos frescos e “facilita o aumento da carteira de depósitos, contribuindo assim para o reinvestimento da liquidez.

As instituições financeiras ou bancárias com uma carteira de títulos e valores mobiliários sólida, segundo aquela economista e professora universitária, têm possibilidades de suportar o passivo, resultante do produto financeiro referenciado.

Apesar de o respectivo instrumento financeiro proporcionar a captação imediata de fundos frescos, a economista aconselha as instituições financeiras a primar pela limitação de subscritores para evitar encargos que os possam expor diante dos clientes.

Diógenes Vieira Neto, economista, também corrobora da tese de que a respectiva modalidade de poupança bancária se adapta ao actual cenário macroeconómico.

“Acredito que o mercado monetário angolano esteja preparado e aspira por este tipo de depósito, a julgar pela crescente desvalorização da moeda nacional, perante o USD e outras divisas, como resultado da inflação, factor anómalo para qualquer economia.”

Para aquele especialista, o facto de a remuneração do depósito a prazo simples estar sujeita ou dependente da evolução de variáveis económicas, sobretudo da inflação, a modalidade indexada (ao USD) é a mais recomendada, principalmente quando se trata de um investidor, mas acarreta consigo algumas desvantagens a ter em conta.

Desta forma, o capital investido num depósito indexado jamais será resgatado antes da data do vencimento da aplicação. “Geralmente, a rentabilidade é calculada à base de fórmulas complexas, com muitas variáveis, o que torna difícil ao investidor entender o rendimento do instrumento financeiro, do qual falamos com precisão.”

A remuneração do depósito indexado só é calculada no final do prazo, após ser conhecida a evolução das variáveis económicas a que estão associadas, afirmou.
“Os depósitos indexados são uma alternativa mais complexa aos depósitos simples a prazo, que hoje apresentam taxas de juro desencorajadoras para os investidores.

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