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“Fusão fria” é a resposta do Citigroup

15/10/2015 - 10:55, Banca, Banca

Diminuir impostos e impulsionar os gastos, com os bancos centrais a cobrirem o aumento: a receita do Citigroup.

Está na hora dos banqueiros centrais pedirem ajuda. Enquanto o FMI se prepara para rebaixar de novo a sua perspectiva para a economia mundial, os responsáveis pela política monetária estão a ficar sem munições para combater uma nova queda. O Bank of America Merrill Lynch calcula que eles reduziram as taxas de juros mais de 600 vezes desde o colapso da Lehman Brothers Holdings em 2008 e o Banco da Reserva da Índia estendeu a sequência, cortando a sua taxa de referência mais do que se antecipava.
Embora o Banco Central Europeu e o Banco do Japão não tenham descartado comprar ainda mais bonds, há dúvidas em relação a quanto mais flexibilização quantitativa eles podem atingir, considerando que os yields já beiram valores mínimos recorde e a inflação continua abaixo da meta da maioria dos responsáveis pela política económica. Uma política monetária ainda mais relaxada poderia acabar propulsionando os mercados de activos mais do que as economias.
Isto faz com que economistas e investidores olhem cada vez mais para os governos para que estes liderem os esforços de resgate caso a desaceleração nos mercados emergentes liderada pela China infecte os países desenvolvidos. Merrill Lynch observa uma chance de 25% de uma depressão similar a uma recessão neste ano.
“A política monetária está basicamente esgotada no que tange à produção de crescimento real e até mesmo de inflação”, refere o bilionário Bill Gross da Janus Capital Management LLC à Bloomberg Television. “A política fiscal é a segunda parte da etapa que tem que ter lugar para podermos retomar o caminho para onde queremos chegar”.

Mudança
Isto marcaria uma mudança em relação aos últimos anos. Tendo flexibilizado seus orçamentos após a recessão de 2009, os governos começaram a ajustar e deixaram a ressurreição da demanda aos bancos centrais.
A austeridade continua sendo a pauta do dia na Europa apesar da ascensão de partidos de protesto e outro enfrentamento congressional pela divida é iminente nos EUA. Talvez uma dívida pública bruta de cerca de 117 por cento do PIB do mundo inteiro em comparação com 81 % em 2007 ainda freie a mão dos políticos.
Contudo, os défices orçamentais declinaram dos seus picos e a Alemanha está a ter um superávit. Isto sugere que há muito para ser gasto pelo B-20, um grupo de líderes empresariais internacionais, que calcula que 100 milhões de empregos e 6 trilhões USD  em actividade poderiam ser gerados se os governos satisfizessem as necessidades de infraestrutura das suas economias até 2030.
Alguns deles já estão considerando agir. Altos funcionários chineses estão tentando implementar uma política fiscal mais forte acelerando a construção de alguns projectos importantes. Também se fala em um novo impulso fiscal no Japão em meio ao crescimento das receitas tributárias.

‘Fusão fria’
No entanto, talvez o remédio tenha que ser mais forte do que a receita tradicional. Se a economia mundial entrar numa corrente descendente, Steven Englander, diretor mundial de estratégia cambial do Citigrou  p para o G10, propõe uma resposta mais revolucionária, similar ao “dinheiro do helicóptero” defendido por Milton Friedman.
No que ele chama de “fusão fria”, os políticos diminuíriam impostos e impulsionariam o gasto. Então, os bancos centrais cobririam o aumento resultante no crédito adquirindo mais bonds como parte de um compromisso de expandir permanentemente seus balanços. A política fiscal mais liberal seria coberta pela flexibilização quantitativa infinita.
“Cada vez mais, a ausência de uma política fiscal é vista como um dos motivos de uma recuperação menos do que satisfatória”, disse Englander. “Com as taxas zeradas, a política fiscal será necessária para compensar qualquer choque negativo que afetar as economias mundiais”.
Michala Marcussen, diretora de economia mundial do Société Générale SA em Londres, concorda.
“Num cenário de riscos, acreditamos que os responsáveis pela política econômica, diante do abismo, dariam o seguinte passo para uma política heterodoxa, ou seja, uma expansão fiscal”, disse ela. “Claramente não é o risco que os mercados de bonds têm em mente”.

Bloomberg/Mercado

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