Mercado

“Há perspectivas de redução do crédito em risco no BPC”

29/05/2017 - 09:01, Banca, featured

Aproximação do BPC a devedores pode ajudar a reduzir perdas associadas a alguns créditos de cobrança duvidosa, diz PCA da sociedade que irá gerir o malparado da banca nacional. Alguns bancos privados já contactaram a Recredit.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

Como vai funcionar a Recredit e quais as suas competências?

A Recredit é uma sociedade capacitada técnica e financeiramente para intervir no mercado do crédito malparado existente na banca nacional, negociando a sua aquisição num processo de mútuo acordo com os bancos detentores destes activos que, na realidade, inquinam a sua estrutura patrimonial, afectam, sobremaneira, o seu desempenho e tolhem a sua capacidade para intervir de forma mais dinâmica no desenvolvimento da economia nacional. Após a aquisição negociada destes créditos – o que implica a transferência de todos os direitos associados a cada processo, incluindo garantias – a RECREDIT empenhar-se-á no desenvolvimento de acções que permitam a reintrodução desses activos adquiridos na esfera da nossa economia, socorrendo-se de soluções e instrumentos financeiros que os potenciem, sempre na perspectiva dos interesses nacionais.

O Despacho Presidencial que cria a Recredit faz referência à “gestão de activos financeiros do estatal Banco de Poupança e Crédito (BPC)”. Que activos são estes?

Os activos referidos são os créditos que a banca detém sobre os beneficiários dos financiamentos concedidos e que, contabilisticamente, surgem no ‘Balanço’ na qualidade de activos. Importa notar que a Recredit foi criada pelo Estado, que é o seu accionista único, em Agosto de 2016, tendo sido inicialmente orientada e capacitada para atender à resolução do processo do crédito malparado no BPC, um dos vectores de forte impacto negativo no funcionamento do maior banco público nacional. Em Dezembro de 2016, por decisão do Titular do Poder Executivo, a Recredit foi autorizada a estender a sua acção a toda a banca angolana, seja pública, seja privada.

Em quanto estão avaliados?

Em determinada fase do processo de recapitalização e reestruturação do BPC, apontava-se que os NPLs (non performing loans ou ‘crédito em risco’) do BPC podiam situar-se num intervalo entre 500 a 600 mil milhões Kz. Contudo, e muito pela acção do novo Conselho de Administração do BPC, existem sérias perspectivas da redução efectiva do montante dos NPLs pela via da aproximação do banco aos seus devedores e da necessidade de estes honrarem com os compromissos assumidos.

As competências da Recredit não se limitam à banca pública. Qual será a prioridade?

De facto, como referi, as competências estendem-se a toda a banca em Angola, mas, estando nós perante um enorme esforço financeiro do Estado, é natural que sejam priorizados os bancos públicos – BPC, BCI e BDA -, sem descurar que a Recredit está aberta e capacitada para intervir em toda a esfera do crédito malparado existente na banca nacional. Aliás, já recebemos contactos de instituições bancárias privadas interessadas em negociar com a Recredit a colocação dos seus NPLs.

A gestão do crédito malparado também fica sob gestão da Recredit?

Sim. O processo de gestão inicia-se logo que seja desencadeada a sua aquisição, por via da análise da transformação destes activos bloqueados e/ou paralisados, em soluções de recuperação económica, seja a nível de cada projecto, seja através da sua agregação a outros activos afins, em termos de natureza económica. Aqui entram em acção os diversos fundos que a Recredit promoverá, no sentido de ocorrer a requalificação desses activos no processo de crescimento e de desenvolvimento da nossa economia.

Como pretendem gerir este dossier, dado que o BPC perdeu o ‘rasto’ a alguns clientes?

A responsabilidade de organizar os processos de crédito malparado, tendo em vista a sua colocação na Recredit, é de cada banco. A sua aquisição só é passível num quadro de transparência, clara determinação de direitos e deveres, seja a nível de activos criados, seja pelas garantias amarradas a cada processo.

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