Mercado

Leasing já é uma alternativa no Angola Investe

21/07/2017 - 08:41, Banca

Crédito especializado pode ser uma opção para investimento ou de tesouraria das empresas, sobretudo quando banca se retrai com empréstimos. Angola Investe adopta novos instrumentos.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao. 

O leasing já é uma realidade no Angola Investe e o factoring poderá vir a surgir também como modelo de financiamento deste programa do Governo, referem fontes próximas do sector bancário, ao Mercado.

Estes instrumentos financeiros podem surgir como alternativas numa altura em que a banca comercial se retrai na concessão de empréstimos.

De acordo com as mesmas fontes, a implementação do factoring é mais complexa, dada a existência de dificuldades na confirmação de facturas das empresas devedoras, mas o objectivo é introduzir este recurso no programa público dirigido às PME.

Oleasing, defende Oliveira Francisco de Carvalho, especialista em Ciências Contábeis, é uma opção da empresa para financiar um investimento, ficando o bem sob reserva de propriedade do banco ou instituição financeira até ao final do contrato.
Depois, pode ou não ficar com o cliente, em função do pagamento de um valor (residual).

“Enquanto num financiamento normal o cliente recebe dinheiro e usa-o, noleasingo banco paga directamente ao fornecedor e tem garantia de que está apoiar o investidor. Esta é uma modalidade mais ajustada, numa fase em que os créditos são escassos”, afirma Oliveira Francisco de Carvalho.

Risco partilhado
Normalmente, lembra, o locatário (cliente) deve ‘entrar’ na compra do bem solicitado com 20% do seu valor, embora haja situações em que o locador (banco) possa exigir comparticipações mais baixas ou mesmo elimina-la.

“Acontece muito no leasing imobiliário destinado à criação de escritórios fábrica”, diz.

Os 20% iniciais, refere, são uma forma de partilha do risco entre as partes, sendo que o banco está juridicamente mais protegido porque é, à partida, proprietário do produto locado.

Para Oliveira de Carvalho, contudo, é preciso haver melhorias, nomeadamente em relação ao registo dos bens em nome da instituição bancária.
Alberto de Jesus, gestor bancário, destaca que o leasing permite financiar a médio e longo prazo, por exemplo, o investimento em aquisição de viaturas, equipamentos ou imóveis, também alivia o esforço de tesouraria.

“Isto liberta capacidade de endividamento e a empresa pode superar obstáculos financeiros, assim como acompanhar a evolução tecnológica do seu sector de actividade, através de um processo de orçamentação e gestão financeira”, afirma.

Factoring alivia tesouraria

Também o factoring é um produto que se pode adequar ao actual contexto, porque permite antecipar receitas muito importantes para a operação das empresas, refere Gregório Pimentel, perito em crédito especializado.

Recorrendo a este instrumento de crédito, as empresas evitam ter “working capitalparado”, resultante de atrasos em recebimento de facturas.
“Posteriormente, é apenas esperar que o devedor pague à instituição bancária”, afirma, sublinhando que “numa altura de menor liquidez, ofactoring ‘dá’ dinheiro ao mercado para que continue a trabalhar”.

O factoring é comum em países como Espanha, Itália, Portugal e Brasil, onde “historicamente as unidades empresariais não são boas pagadoras”, lembra.
Nos países nórdicos “é de rara implementação, porque naquela região da Europa as empresas têm a postura do pronto pagamento ou dentro dos 15 ou 30 dias”, adianta.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.