Mercado

Lloyds Bank vai ser vendido a retalho

22/10/2015 - 11:09, Banca, Banca

A operação anunciada pelo ministro das Finanças, George Osborne, será levada a cabo na Primavera de 2016.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia Bloomberg

O Reino Unido prepara-se para fazer a maior privatização dos últimos 30 anos com a anunciada venda da participação de 12% que o Estado ainda detém do Lloyds Banking Group. Arevelação foi feita pelo ministro das Finanças britânico, George Osborne, afirmando que o governo irá vender acções do banco no valor de 2 mil milhões de libras (cerca de 3 mil milhões USD) a investidores privados, numa operação que será levada a cabo na próxima Primavera.
“Vamos vender as acções a investidores de retalho, a pequenos investidores e a todos os que quiserem ter a oportunidade de receber algo depois de ter sido injectado dinheiro no banco”, revelou Osborne.
Para além da obtenção de recursos com vista à redução da dívida britânica, a operação tem também como objectivo encorajar os cidadãos britânicos a investir no mercado de acções, uma aspiração do governo conservador liderado por David Cameron. “Não quero que todas estas acções acabem nas mãos das instituições financeiras da City. Quero que sejam compradas pelo público”, afirmou Osborne em declarações à Sky News.
A venda da participação que o Estado britânico ainda possui na instituição bancária gerida pelo português António Horta Osório será a maior privatização no Reino Unido desde os anos 1980, quando o governo conservador de Margaret Thatcher vendeu 3,9 mil milhões de libras (6 mil milhões USD, ao câmbio actual) em acções da British Telecom e 5,6 mil milhões de libras (8,6 mil milhões USD) em acções da British Gas.

Resgate
O Lloyds Bank recebeu 20,5 mil milhões de libras (31,4 mil milhões USD) do Estado entre 2008 e 2009, em consequência da crise financeira, tendo o governo, em contrapartida, ficado com 43%da instituição. Desde então, o Reino Unido tem vindo a reduzir a participação no banco que actualmente tem como subsidiárias o Bank of Scotland e a sua divisão Halifax Bank.A receita foi, nos últimos dois anos, a venda a investidores privados. Em Dezembro do ano passado, George Osborne lançou um plano que permite a compra de acções de LLoyds ao preço médio de 80 pence (1,2 USD) por unidade, acima dos 73,6 pence (1,1 USD) pagos originalmente pelas acções da instituição. Aoperação devia ter chegado ao fim a 30 de Junho deste ano, mas foi prolongada até ao último dia de 2015.
A oferta agora anunciada, destinada a pequenos investidores, inclui um desconto de 5%, com a prioridade a ser dada a quem pretenda comprar menos de 1000 libras (1500 USD) de acções do Lloyds Banking Group. Haverá ainda um bónus por cada 10 acções para quem mantenha o investimento por um período superior a um ano. No entanto, o governo de Cameron ressalvou que a operação ficará condicionada pelas “condições do mercado”. Ou seja, caso as acções do Lloyds sejam afectadas pela volatilidade do mercado, a venda poderá ser travada ou adiada.
Prometida está uma grande campanha publicitária para atrair o público para a operação, com o governo esperançado em repetir o êxito da campanha do “carteiro Sid” aquando da venda das acções da British Gas em 1986. Quem pretenda adquirir acções com desconto terá, para já, de registar-se num site do governo: https://www.gov.uk/lloydsshares/location.
O Lloyds Bank já tem investidores privados – cerca de 2,7 milhões – do que qualquer outra empresa britânica cotada em bolsa, para além de deter actualmente 25% da quota do mercado britânico de contas à ordem, mais do que qualquer outro banco no Reino Unido.

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