Mercado

Malparado no SBA em nível aceitável

14/12/2016 - 08:53, Banca, featured, Finanças

No mercado angolano há bancos com carteiras de crédito enormes que estão com muitas dificuldades em continuar a acrescer.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

O crédito malparado no Standard Bank Angola está dentro dos parâmetros aceitáveis, informou o presidente da comissão executiva daquela instituição bancária, António Caroto Coutinho, em declarações ao jornal Mercado, num encontro realizado na capital, Luanda, que também serviu de balanço ao último exercício financeiro (2016).

A estabilidade daquela sociedade deveu-se à solidez da provisão para o crédito malparado, como declarou António Coutinho, tendo ainda anunciado a disponibilidade do Standard Bank Angola em financiar projectos de desenvolvimento, mas desde que estes estejam dentro dos princípios determinados por aquela instituição financeira.

“O Standard Bank Angola tem sido um banco conservador nas provisões de crédito, por isso o crédito malparado é muito baixo”, disse António Coutinho, moçambicano de nacionalidade, à frente da comissão executiva, em substituição de Luís Fialho Teles.

A concessão de crédito tornou-se num dilema para a banca nacional, face ao contexto macroeconómico.

Assim, na perspectiva do CEO da instituição financeira acima referida, os bancos com a carteira de crédito superior ao dos depósitos terão de fazer cortes nos créditos. “Embora nem todos os bancos tenham a mesma situação”, disse.

Tal facto está a influenciar o abrandamento da evolução do crescimento do crédito, no sistema financeiro angolano, principalmente no segmento bancário, como se pôde depreender da argumentação de Coutinho, quando falava para o jornal Mercado.

“No mercado angolano, há bancos com carteiras de crédito enormes, e estão com tantas dificuldades em continuar a crescer”, afirmou o CEO do SBA, sociedade bancária que em 2016 priorizou o financiamento de projectos do sector produtivo.

Apesar da complexidade do sistema financeiro angolano, afectado pela escassez de divisas, no mercado cambial, o respectivo banco está sólido em termos de liquidez, de acordo com António Coutinho, mas apresenta uma taxa de transformação de 20%, considerada baixa, inclusive por ele, uma vez que a recomendada é 30% ou 40%.

Relativamente à disponibilização de recursos a clientes, o Estado foi o principal beneficiário, incluindo a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol). Este facto ilustra a pujança do Standard Bank Angola, quanto à carteira de títulos e valores mobiliários, comparativamente ao volume de créditos, pelo menos até ao terceiro trimestre de 2016. O primeiro item está avaliado em 91,8 mil milhões Kz, enquanto o segundo regista 48,3 mil milhões Kz. O Estado absorveu mais 43,5 mil milhões Kz.

Tendo em conta a concessão de crédito a clientes, o SBA foi o décimo segundo, num conjunto de 21 instituições bancárias analisadas pela Deloitte Angola, em 2015, como se pôde constatar no Banca em Análise 2016, recentemente publicado. Os números revelam a distância de aquela sociedade figurar entre as maiores do mercado.

Os bancos estiveram atentos ao risco no sistema financeiro; no SBA, a gestão do mesmo, aliás foi um dos cinco pilares tidos estratégicos para 2016, assentou num ambiente de crescente escrutínio, considerando fundamental garantir a conformidade regulamentar, reforçar a estrutura de risk governance e fortalecer o controlo.

A gestão do risco teve também como escopo a garantia da eficácia dos mecanismos de prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo. A estratégia tomou ainda precaução ao crime financeiro e a redução das perdas operacionais.

Também houve a necessidade de formar colaboradores, resultando na solidificação de uma cultura considerada irrepreensível de compliancee gestão de risco a todos os níveis daquela organização, ligada ao sector bancário, como já acima foi referenciado.

No âmbito das prioridades estabelecidas durante 2016, constava igualmente a melhoria da eficiência operacional do processo de reclamação por ser considerada fundamental para reforçar a relação de confiança com os clientes e garantir uma taxa de retenção elevada a longo prazo.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.