Mercado

Malparado ultrapassa 1 bilião USD

09/12/2016 - 11:33, Banca, Banca

“Dimensão do stock de NPL no euro” levanta “preocupações face à estabilidade da região” , avisa o BCE.

Por Filipe Paiva Cardoso*

No final de 2015, os 130 maiores bancos da zona euro acumulavam mais de 1 bilião USD em créditos não produtivos (CNP ou NPL, em inglês), revela o Banco Central Europeu no relatório de estabilidade. “Apesar do valor, os rácios de malparado estão distribuídos de forma muito distinta pelos países”, detalha o supervisor europeu.

De acordo com o relatório, esta “dimensão do stockde NPL na zona euro” levanta preocupações relativamente à estabilidade da região, sobretudo por causa dos desafios que coloca à rentabilidade da banca e dada a estreita interligação entre a banca e o comportamento da economia e das finanças dos países do euro, realça o BCE.

Um outro factor de preocupação é que este stock de malparado “também pode ter impacto na transmissão da política monetária, já que os recursos dos bancos estão presos a créditos ineficientes e a riscos orçamentais”.

A política monetária do BCE, que procura libertar mais recursos para a economia através dos bancos, acaba por ser travada pelas necessidades destes.
Segundo o supervisor, mais de 60% destes NPL estão relacionados com “várias formas de empréstimos empresariais”, ainda que existam vários tipos de activos afectados pela deterioração da qualidade do crédito.

“Há várias respostas possíveis para atacar a dimensão elevada de NPL, muitas complementares entre si e dentro da mesma jurisdição”, salienta o supervisor europeu sobre os caminhos a tomar para libertar os balanços dos bancos destes activos.

“O trabalho interno dos bancos na gestão destes activos é um dos extremos no espectro das opções mas devem considerar sempre as várias opções possíveis. Os bancos podem precisar de empresas especialistas para serem mais eficazes neste aspecto. A venda directa dos activos não produtivos a um investidor externo é o outro extremo, e ainda que possa ser a solução mais rápida da perspectiva do banco, depende dos níveis de provisões face aos preços de mercado e a existência de liquidez no mercado de NPL.” Mas entre estes dois extremos, diz o supervisor, “há várias opções possíveis”, como o avanço para esquemas de protecção de activos, securitização, securitização sintética ou a criação de companhias específicas para a gestão destes activos”.

De acordo com o BCE, e apesar de os stocksde NPL estarem a crescer desde 2008, o mercado secundário para estes activos continua sem grande actividade, ainda que vários estudos refiram que o apetite existe.

 Dinheiro Vivo*

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