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Massano quer mais estabilidade no sistema financeiro angolano

03/11/2017 - 10:58, Banca, featured

“Não há uma forma mágica para aumentar a disponibilidade das reservas, como sabem, ainda muito dependente do sector petrolífero.”

Por Fernando Baxi

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

José de Lima Massano regressa ao Banco Nacional de Angola (BNA) três anos depois, com a missão de materializar o programa  macroeconómico gizado pelo Presidente da República,João Lourenço, anunciado na tomada de posse, que pretende fixar a taxa de inflação em limites aceitáveis e controláveis no decurso dos próximos cinco anos.

A implementação  do  programa obriga à imposição de “regras rígidas de política cambial e fiscal”, como reconheceu o PR no discurso, daí a razão de confiar o cargo de governador do BNA a José de Lima Massano. Diga-se que durante o primeiro consulado propôs a reformulação do sistema bancário, mas ficou sem apoio do Chefe de Estado.

O antigo presidente da comissão executiva do Banco Angolano de Investimentos, com passagens por Sonangol e BPC, é também o homem de confiança de João Lourenço para re orçar os sistemas de controlo de actos ilícitos que possam descredibilizar o sector financeiro e bancário internamente, bem como no exterior.

“Pretendemos que, daqui para a frente, quando se falar de boa governação, passe também pelo bom funcionamento, não só do banco central mas da banca angolana de uma forma geral”, afirmou o PR,  no  empossamento  do  novo  governador  do BNA.

A  formulação  de  programas estáveis  direccionados  de  microcréditos e de créditos dirigidos a pequenas e médias empresas é também das ambições do Executivo liderado por João Lourenço, que contará com a contribuição da estratégia do banco central,  que,  entre  as  várias atribuições conferidas por lei, é responsável pela execução, acompanhamento  e  controlo  das  políticas monetária, cambial e de crédito.

José de Lima Massano terá ainda missão de materializar o desígnio do Executivo relativamente ao crédito à economia, que “deve estar de acordo com  as  necessidades  dos  agentes económicos e com a obrigatoriedade de diversificação económica, de redução drástica das importações e de aposta nas exportações”, como orientou o PR. Agora regressado ao BNA, saído do BAI, Massano defende a continuidade do fortalecimento das capacidades técnico-profissionais dos quadros, bem como do reforço da estabilidade do sistema financeiro, iniciado com o antecessor, Valter Duarte Filipe, assente na reforma orgânica e adequação às normas de regulação internacional.

O novo chairman pretende que o BNA seja “uma parte activa de um processo que visa a estabilidade macroeconómica, capaz de permitir um ambiente de negócio mais favorável para o País, com isso também para contribuir para qualidade de vida dos nossos concidadãos”.  “Vamos começar a trabalhar no reforço da capacidade interna.” Face à experiência no sector bancário, José de Lima Massano, segundo especialistas, deverá trabalhar no sentido de rever o rácio de reserva obrigatória e as taxas de juro de referência, em função da percentagem de crédito à actividade produtiva, assim como reformular as operações de crédito dos bancos especializados no microcrédito.

Também deverá rever a política de concessão de crédito, no âmbito do programa do programa Angola Investe; a percentagem de captações de longo prazo; o coeficiente para reservas em moeda estrangeira e a posição cambial dos bancos comerciais em relação aos fundos próprios regulamentares.

A ‘problemática’ das divisas

O sistema monetário e cambial atravessa um dos piores momentos da história. Neste capítulo, o governador ‘regressado’ do BNA também se mostra céptico quanto a uma recuperação imediata do défice, tendo em conta a realidade macroeconómica, causada pela queda do preço do petróleo, no mercado mundial.

“A escassez vai levar mais tempo, porque o que temos nesta altura são maiores limitações. São recursos que não temos disponíveis”, disse Massano, no empossamento, alegando “que não há uma forma mágica para aumentar a disponibilidade das reservas, como sabem, ainda muito dependente do sector petrolífero”.

O governador do banco central defende a gestão cuidada dos recursos. Para as reservas disponíveis, a diversificação da economia e a redução das exportações  são  aquelas  que mais rapidamente terão resultados, face ao programa do Executivo, no âmbito das atribuições do BNA e da agenda política anunciada pelo PR no discurso proferido, defende José de Lima Massano.

Na perspectiva de Rogério de Castro, economista e professor universitário, o contexto macroeconómico impõe limitações relativamente à gestão dos cambiais, “qualquer governador do BNA teria mais facilidade com o barril de petróleo a custar 120 USD”.

“O cenário macroeconómico vai exigir um ajustamento da taxa de câmbio  para  reduzir  a  diferença cambial entre os mercados formal e informal, tendo em vista a flexibilização do mercado, o Executivo defende que ocorrerá sem prejuízo da estabilidade do nível geral de preços na economia.”

Um contabilista por excelência

José de Lima Massano é mestre em Contabilidade e Finanças pela City University, Londres, em 1996. Licenciado em Contabilidade e Finanças pela  University  of  Salford,  Reino Unido, em 1995. Iniciou a carreira profissional na Sonangol EP (1997), no departamento de contabilidade. Em 1999, fez parte do conselho de administração do Banco de Poupança e Crédito (BPC). Em 2006, é presidente da comissão executiva do Banco BAI, até 2010, quando foi nomeado governador do BNA. Em 2015, retorna ao BAI, ocupando a anterior função. Em 2017, volta a ocupar o cargo de governador do BNA.

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