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Millennium Atlântico aumenta peso nos resultados do BCP

19/02/2018 - 11:48, Banca, featured

Banco português apresentou lucro de 186,4 milhões e euros em 2017.

Por Paulo Narigão Reis

A contribuição do banco Millennium Atlântico para os resultados do Banco Comercial Português (BCP) aumentou 13,8% em 2017 face ao ano anterior.

A maior apropriação de resultados, em 2017, da participação detida pelo BCP resultou num proveito líquido de 91,6 milhões EUR, contra 80,5 milhões EUR em 2016, contribuindo para reduzir a variação negativa no item “Outros proveitos líquidos”. Recorde-se que, no âmbito do processo de fusão do Banco Millennium Angola com o Banco Privado Atlântico, o Millennium Atlântico foi considerado como operação em descontinuação em Março de 2016, com o impacto dos resultados da instituição financeira angolana a serem apresentados na rubrica “Resultados de operações descontinuadas ou em descontinuação”. Após a fusão, em Maio de 2016, os activos e passivos do Banco Millennium Angola foram desreconhecidos no balanço consolidado, tendo o investimento de 22,5% no Millennium Atlântico, a nova entidade que resultou da fusão, passando a ser registados pelo método de equivalência patrimonial. Assim, e segundo consta no documento onde são apresentados os resultados do BCP, revelado na quarta-feira em Lisboa, “os rendimentos de instrumentos de capital, que incluem os dividendos recebidos de investimentos em activos financeiros disponíveis para venda, e os resultados por equivalência patrimonial totalizaram em conjunto 93,4 milhões EUR em 2017, comparando com 88,2 milhões EUR alcançados no ano anterior”, resultado do atrás referido aumento da apropriação de resultados da participação que o BCP detém no Millennium Atlântico.

Lucro aumenta

O BCP teve, entretanto, lucros de 186,4 milhões EUR em 2017, quase oito vezes mais do que os 23,9 milhões EUR alcançados em 2016.

Em conferência de imprensa realizada em Lisboa, o presidente do banco, Nuno Amado, atribuiu o aumento dos lucros do BCP à “evolução favorável da actividade em Portugal”, considerando que o resultado da actividade internacional se manteve estável. Em Portugal, o BCP conseguiu no ano passado lucros de 39 milhões EUR, com o banco a destacar a diminuição de provisões e imparidades. Já a actividade internacional do BCP, nomeadamente em Moçambique e na Polónia, contribuiu para os lucros com 146,2 milhões EUR, isto apesar do aumento, de 7,3%, dos custos operacionais na Polónia, influenciados pela evolução da subsidiária naquele país europeu.

De resto, registe-se a redução da exposição a activos problemáticos (NPE). Em Portugal reduziram-se em 1,8 mil milhões EUR, para 6,8 mil milhões, sendo que o objectivo com que o BCP se comprometera era baixar essa exposição para 7,5 mil milhões EUR.

Já os custos com provisões e imparidades baixaram de 1,6 mil milhões EUR, para 925 milhões EUR, valor que Nuno Amado considera estar ainda a um nível “muito elevado”.

A recuperação na actividade de concessão de crédito foi também destacada pelo presidente do banco português. “Já atingimos em 2017 a redução de exposições problemáticas que iríamos fazer em 2018. Antecipámos esse processo de uma forma clara”, afirmou Nuno Amado, destacando o “crescimento da carteira de crédito performing em Portugal em 2017, o que já não ocorria há 8 anos”.

Já as comissões subiram 3,6% em termos consolidados, com a subida em Portugal a ser de 0%. Ainda assim, Nuno Amado antevê “ajustamentos pontuais” neste capítulo. “E m 2018 poderá existir uma maior receita com comissões, não nas comissões unitárias, mas em mais negócio e mais clientes”, disse Amado, referindo ainda que a eventual venda total ou parcial da SIBS (a empresa que gere a rede Multibanco) é um “assunto entre accionistas”, escusando-se a revelar a posição do BCP.

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