Mercado

Novo Banco concretiza aumento da capital 750 milhões de EUR

26/10/2017 - 11:02, Banca

Lone Star deverá meter mais 250 mil milhões EUR até final deste ano, completando assim a injecção de capital de 1000 milhões com que se comprometeu.

O capital do Novo Banco (NB) foi reforçado em 750 milhões EUR, de 4,9 mil milhões para 5,65 mil milhões (pelo fundo Lone Star), indicou a empresa, num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), segunda-feira.

“A assembleia geral do banco deliberou a eliminação do valor nominal das acções do Novo Banco, passando o capital social deste a ser representado por acções sem valor nominal”, refere a nota à CMVM.

O reforço de 750 milhões EUR será feito “mediante novas entradas em dinheiro a realizar nos próximos dias”. Na sequência do acordo para a compra do NB (que estava na esfera pública desde que o BES faliu), o fundo norte-americano Lone Star comprometeu-se a meter 1000 milhões EUR em capital no banco, dos quais 750 milhões já este ano e o resto até 2020. Com a concretização desta operação, o private equitypassa a ser o proprietário, de facto,  do  NB.

O Lone Star poderá ainda acelerar esse processo e injectar os 250 milhões EUR remanescentes ainda neste ano, até final de Dezembro. Isso seria bom para o Fundo de Resolução (FR), o primeiro dono único do NB, já que lhe aliviava pressão financeira.

E, por arrasto, também aliviaria os contribuintes, que financiaram essa grande operação de capitalização do NB via resolução, em meados de 2014, com um empréstimo de 3,9 mil milhões EUR ao Fundo de Resolução. Os outros 1000 milhões vieram dos outros bancos portugueses.

Bruxelas aprova e quer emagrecer mais o banco

A reestruturação e ajuda de Estado do NB (que já tinha recebido 4,9 mil milhões EUR do Estado e dos outros bancos via Fundo de Resolução quando o BES implodiu) foram aprovadas na semana passada pela Comissão Europeia. “Portugal decidiu vender o Novo Banco a um novo proprietário privado, que irá proceder à reestruturação do banco para restaurar a sua viabilidade. Aprovámos os planos de Portugal para conceder um auxílio estatal ao Novo Banco ao abrigo das regras da UE, com base no plano de reestruturação de grande envergadura e às medidas adoptadas pelo banco para limitar as distorções da concorrência”,disse a comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager.

“Agora, é importante que o novo proprietário aplique o plano de forma eficaz, para que o banco consiga apoiar a economia portuguesa”, insistiu. Uma das dimensões desse plano é emagrecer o grupo bancário, designadamente através da “alienação de actividades não principais e outras medidas de redimensionamento”.

Banco reduziu 2000 pessoas desde 2014

Recorde-se que isso já estava em curso desde 2014. Segundo informou a Lusa, citando a Comissão de Trabalhadores do NB, em Agosto passado trabalhavam no grupo Novo Banco 5678 pessoas (95% nas actividades em Portugal e as restantes nas operações no estrangeiro), portanto, menos 2044 empregados face aos 7722 efectivos contabilizados no final de 2014.
A intervenção que será levada a cabo pela Lone Star, em articulação com a Comissão Europeia, o Governo e o Banco de Portugal (que gere o fundo de resolução), deverá aprofundar ainda mais a redução de efectivos, bem como da existência física do grupo em Portugal e noutros territórios.

Contribuintes ainda não estão a salvo

No entanto, os problemas podem ainda não ter aqui um ponto final. Segundo apurou o Dinheiro Vivo junto de fontes oficiais, o Novo Banco poderá voltar a pesar no bolso dos Contribuintes.

O plano de reestruturação aprovado pela Comissão Europeia admite que, “na medida em que surjam necessidades de capital em circunstâncias adversas graves, que não possam
ser resolvidas pela Lone Star ou por outros operadores de mercado, Portugal disponibilizará capital adicional limitado”.

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