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“O desafio é adequar o sistema bancário angolano ao europeu”

24/02/2017 - 15:43, Banca, featured

Três dias de agenda intensa na Cidade-Luz numa missão de partilha dos avanços das políticas de compliance implementadas pelo BNA.

Por Nilza Rodrigues, em Paris

Paris. Quarto destino do Banco Nacional de Angola. Sucede a Estados Unidos, Itália e Londres, num périplo assumido pela governação de Valter Filipe com o intuito de restaurar a confiança internacional no sistema financeiro angolano através de um compliance rigoroso. “Precisamos de informar as autoridades europeias sobre o trabalho que está a ser feito no sistema financeiro nacional”, palavras do governador, à chegada à Cidade Luz, liderando uma comitiva composta por representantes da banca nacional que durante três dias intensivos participaram em reuniões de alto nível com o Banco de França, com o Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), com a Agência de Desenvolvimento Francesa e com a Federação de Bancos Franceses.

Uma iniciativa acompanhada de perto pelo embaixador de Angola em França, que relembrou e reiterou as boas relações diplomáticas entre os países, recordando que “França foi o primeiro país da OCDE a reconhecer a independência de Angola”.

“Angola está numa fase de transição”

Contextualizar foi a primeira abordagem de Valter Filipe, que, reunido com o MEDEF (Mouvement des Entreprises de France) num dos encontros mais pragmáticos da visita, colocou face to face empresários franceses e banqueiros angolanos chamados a dissipar dúvidas e a apontar caminhos para casos concretos expostos em mesa-redonda. “Angola está numa fase de transição e é preciso explicar a nossa visão, partilhar com os nossos parceiros estratégicos e históricos como França e contar com o apoio das empresas e das famílias francesas”, explicou o governador. Três pontos fundamentais no seu discurso: o esclarecimento macroeconómico de Angola, uma passagem breve pela política cambial e a supervisão e combate ao branqueamento de capitais decorrente de um programa rigoroso de alinhamento do sistema bancário nacional às exigências internacionais.

“Em 2014, a redução drástica do valor do barril do petróleo fez com que as receitas do Estado angolano descessem na ordem dos 60%, o que teve um impacto brutal nas despesas públicas, na liquidez do sector bancário e na nossa economia. Houve um impacto directo nos preços, na taxa de inflação e no câmbio.

Paralelamente, uma redução de 60% de divisas no sector bancário, que teve dificuldade em honrar o crédito.” Assim estava Angola há três anos, com “o sistema financeiro montado de acordo com o movimento de disponibilidade de divisas. O sector bancário era alimentado com os resultados de produção petrolífera, um mecanismo insustentável e perigoso, pois as empresas, as famílias e o País dependiam da exploração do seu maior recurso”.

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