Mercado

Poupança influencia sistema financeiro

04/11/2016 - 16:40, Banca

Angola apenas precisa de seguir as regras internacionais já existentes .

Por Fernando Baxi

fernando.baxi@mediarumo.co.ao

A poupança afigura-se como um dos meios de aproximação mais eficientes entre o sistema financeiro e o cidadão, sobretudo quando de baixa renda, afirmou Carlos Moya, coordenador da Aliança pela Inclusão Financeira (AFI), durante o IV fórum da organização, realizado em Luanda, sob a égide do Banco Nacional de Angola (BNA).

Na perspectiva de Carlos Moya, que responde pela AFI na América Latina, Caribe e Angola, a poupança é também dos mecanismos financeiros mais importantes de bancarização destinados à camada de baixa renda. Neste âmbito, é ainda considerada de maior relevância, comparativamente ao crédito, nos seus moldes clássicos.

Com a poupança, o indivíduo terá maior probabilidade de aceder a outros instrumentos financeiros, inclusive os não bancários. A título de exemplo, o seguro. “Também transmite um sentimento de segurança para os indivíduos porque permitirá a resolução de algumas necessidades que vão melhorar a sua vida”, disse, enquanto discursava no IV Fórum Internacional de Inclusão Financeira, em Luanda, subordinado ao tema: Sistema de Pagamentos Móveis e Correspondentes Bancários.

A aposta no aforro permite ao aderente obter o seguro mínimo, um dos requisitos exigidos por muitas instituições financeiras, principalmente os bancos, para obtenção de crédito, instrumento facilitador de execução de projecto que facilitará a mudança do modo de vida, assim como permitir a estabilidade da família, defende Moya.

O discurso de Carlos Moya esteve focado na inclusão dos indivíduos de baixa renda no sistema financeiro, tendo inclusive defendido a disponibilização e uso de meios tecnológicos para os facilitar no aceso ao crédito, assim como fazer pagamentos.

Aquele quadro sénior da AFI realçou o desempenho e esforço desenvolvido pelo Banco Nacional de Angola (BNA), nos últimos tempos, no sentido de promover a inclusão financeira, salientado que Angola apenas precisa de seguir as regras já existentes.

Realidade angolana

Relativamente ao caso de Angola, na locução do director do Departamento de Educação Financeira, Avelino António, existem mil 515 agências e dependências bancárias, com mais de 50% concentradas em Luanda, perfazendo um total de 800.

Em referência àquele quadro do BNA, tal realidade cria um fosso entre aquilo que deve ser, quanto à prestação de serviços financeiros à população pelo resto do País.

Apesar do quadro acima descrito, pretende-se atingir uma taxa de bancarização na ordem dos 60%; meta estabelecida no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) para o quinquénio 2013-2017, dentro do qual foi traçado um plano de acção que permitiu sair dos 43%, no arranque do programa. À data, a quota está estimada em 52,8%.

“Segundo dados da última inspecção feita ao sistema, temos 7,8 milhões de contas bancárias abertas, dentro dos critérios para o cálculo da bancarização”, disse Avelino.

Sistema de pagamentos móveis

Avelino António dos Santos considera o sistema de pagamentos móveis como uma porta de entrada para a bancarização e inclusão financeira.
Como vantagem, permitirá, por via de uma tecnologia à mão, fazer operações bancárias em tempo real a custo.
Mas este avanço vai implicar outro desafio, relativamente à regulação. Assim, tem de se ajustar os meios de pagamentos em função da evolução do próprio sistema.

“Outro indicador importante é inserir Angola no mapa dos países africanos onde funcionam os serviços de pagamentos móveis, mobile banking. Potenciar a introdução da moeda electrónica”, declarou Avelino António dos Santos, durante o IV Fórum Internacional de Inclusão Financeira, a 31 de Outubro de 2016, o Dia da Poupança.

Espera-se que Angola participe nas reuniões e workshops sobre possíveis interligações ou transacções de remessas de cidadãos membros da SADC por moeda electrónica.

Para o administrador do BNA, António Ramos da Cruz, o respectivo fórum ilustra o esforço do Executivo para a inclusão financeira e consequentemente a redução da pobreza. Também permitiu o debate sobre um tema relevante em todas as economia.

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