Mercado

Ressegurar: 500 milhões USD ficam no País

06/08/2015 - 15:36, Banca, Seguros

A Empresa Nacional de Resseguros (Ango-Re) vai ficar com cerca de 50% do negócio que actualmente é canalizado para instituições no estrangeiro.

Por Estêvão Martins | Fotografia Walter Fernandes

O aparecimento da Empresa Nacional de Resseguros (Ango-Re) deverá proporcionar a retenção de 500 milhões USD – cerca de 50% do negócio das seguradoras que é ressegurado no estrangeiro – aliviando a pressão sobre as reservas externas do País.
A informação foi prestada em exclusivo ao Mercado pelo chairman da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).
Aguinaldo Jaime revelou que a empresa nacional de resseguros poderá ser criada ainda este ano e, de seguida, serão igualmente providenciadas as condições organizativas e logísticas para que a empresa comece as suas operações no País.
Para o efeito, o gestor sublinhou que o conselho de administração que dirige já submeteu, à apreciação superior, o estudo de viabilidade técnica, económica e financeira da futura empresa angolana de resseguros.
Frisou que o estudo foi elaborado por uma empresa estrangeira especializada, em coordenação com responsáveis técnicos e especialistas nacionais, tendo sido posteriormente apreciado pelo conselho de administração da ARSEG.
O responsável referiu igualmente que o estudo faz menção à viabilidade da futura empresa e aos benefícios que a instituição trará para o sector segurador nacional, para o mercado de emprego e, de uma maneira geral, para o sistema financeiro nacional.
O documento analisa ainda diferentes experiências sobre a criação de empresas resseguradoras, em África, na Ásia e na América Latina.
Com base em tais exemplos, Aguinaldo Jaime nota que o estudo apresenta propostas sobre o melhor modelo de gestão da empresa, a composição accionista, bem como sobre a governança.
Um aspecto crucial a ter em conta, segundo o chairman da ARSEG, será o capital humano necessário para que a empresa comece as suas operações com a eficiência desejada, sendo que deverá ser dotada de pessoal com formação especializada.
Com efeito, avançou, a ARSEG está nesta altura a realizar, em Luanda, com o apoio de resseguradores internacionais, um seminário sobre resseguros destinado aos seus quadros e aos de outros reguladores do sistema financeiro.
No entanto, conforme anunciou, outras iniciativas, no âmbito da formação profissional, estão previstas para este ano.

Nossa Seguros aplaude iniciativa
Do lado do sector, a Nossa Seguros encoraja a implementação da resseguradora nacional, que deve ter como missão a concentração de capacidade doméstica para reter os riscos originados em Angola.
Carlos Duarte, CEO da seguradora, enfatiza que a medida não podia ser mais oportuna, sobretudo num contexto económico caracterizado pela falta de liquidez dos recursos cambiais externos.
Deste modo, acrescentou Carlos Duarte, “serão poupadas as reservas cambiais no exterior do País que eram canalizadas para programas de resseguro”.
O responsável considerou que há riscos que têm de ser acautelados, a fim de evitar situações de incumprimento e de violação à lei como a que se deu no passado, e citou o exemplo do regime de co-seguro nos sectores energéticos, mineiro e de aviação, que degenerou numa situação de aproveitamento e incumprimento da lei por parte de determinada seguradora.
Para este caso, o CEO da Nossa Seguros é da opinião que tem de haver mecanismos de controlo, no sentido de evitar situações semelhantes, e que traduzam correctamente o espírito da resseguradora num aumento da eficiência do sector.
“Pensamos também que a futura resseguradora deverá estar dotada de uma forte capacidade técnica, e igualmente com uma base de capital muito sólida para cumprir com os objectivos para os quais foi criada.”

Sobre o resseguro
O resseguro é o seguro das seguradoras. É um contrato em que o ressegurador assume o compromisso de indemnizar a companhia seguradora pelos danos que possam vir a ocorrer em decorrência das suas apólices.
Para garantir com precisão um risco, as seguradoras usualmente repassam parte dele para uma resseguradora que concorda em indemnizá-las por eventuais prejuízos que venham a sofrer em função da apólice de seguro.
No entanto, o contrato de resseguro pode ser feito para cobrir um determinado risco isoladamente ou para garantir todos os riscos assumidos por uma seguradora em relação a uma carteira ou ramo de seguros.
O seguro dos riscos assumidos por uma seguradora é definido por meio de um contrato de indemnização. Os resseguradores fornecem protecção a variados riscos, inclusive aqueles de maior vulto e complexidade que são aceites pelas seguradoras.
Em contrapartida, a seguradora paga um prémio de resseguro, comprometendo-se a fornecer informações necessárias para análise, fixação do preço e gestão dos riscos cobertos pelo contrato.

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