Mercado

Sector bancário regista sinais de abrandamento

29/11/2016 - 10:49, Banca, Banca

“A entrada em vigor do novo normativo, referente ao apuramento dos rácios prudenciais, vai implicar alterações no método de cálculo”.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

O sector bancário angolano registou um abrandamento no crescimento dos principais indicadores de actividade e dimensão em 2015, mas manteve elevados os níveis de rentabilidade, concluiu a consultora KPMG – Angola, no estudo recentemente apresentado por Vítor Ribeirinho, mas o impacto foi pouco significativo, face ao comportamento dos resultados das operações financeiras, em função da desvalorização do kwanza ante o dólar americano (USD).

Ainda assim, o sector bancário angolano manteve a relevância, relativamente ao desenvolvimento estrutural da economia e do reforço da literacia financeira.
A bancarização da população continua a ser um dos objectivos prioritários das instituições, pelo facto de a banca ter registado incremento da rede de balcões, embora em ritmo mais baixo, comparativamente aos anos anteriores. Também se registou o crescimento da utilização dos diferentes meios de pagamento e exploração de canais electrónicos, observou a consultora KPMG, no estudo divulgado.

O sector bancário manteve as expectativas baixas quanto à captação de recursos e concessão de créditos, quando comprado com períodos anteriores, tendo em conta a evolução da conjuntura económica. Ainda assim, mostrou-se preponderante para o desenvolvimento estrutural da economia, como se pôde depreender daquele estudo.

A actividade creditícia no exercício financeiro 2015 registou o aumento do volume de crédito e foi acompanhada pelo aumento de 8,8% do crédito malparado, face ao período homólogo transacto. O rácio de crédito vencido manteve-se constante, registando um decréscimo de 0,1 pp, disse Vítor Ribeirinho, em alusão à análise da banca nacional.

Os depósitos de clientes aumentaram aproximadamente 11,9%; mas abaixo dos 16,1% registados em 2014. O incremento foi potenciado pelos depósitos à ordem, tendo evoluído 13%, e actualmente representam 56% do total. Os depósitos a prazo tiveram um aumento de 10,2%; 44% do global em 2015, indica a respectiva análise.

Relativamente ao nível da distribuição, no exercício financeiro 2015, os depósitos em moeda nacional (kwanza) representaram 71% do total.
Enquanto o rácio de transformação diminuiu 1,2 pp, evoluindo de 55% (2014) para 54,3% (2015). A variação traduz um crescimento do volume de depósitos, comprado com o incremento apresentado pelo crédito bruto a clientes (11,9% e 9,5%), revela aquele estudo.

Ainda no exercício financeiro 2015, a banca angolana apresentou um volume superior nos activos de aproximadamente 16,6%, face ao período homólogo, traduzindo-se numa evolução quantificada em 7,5 mil milhões Kz. Também se verificou a redução nas aplicações de liquidez (5,9 pp) e o aumento nas obrigações de títulos (6,4 pp).

Produto bancário

O produto bancário agregado registou um acréscimo de 39,7%, acima dos anos anteriores, e foi potenciado pelo aumento de 51% da margem complementar. A margem financeira cresceu 31%, como resultado do crescimento nos proveitos de créditos em 18,6% e dos títulos e valores mobiliários em aproximadamente 79%.

Já o crescimento nos custos dos depósitos (aproximadamente 14%) e a redução nos proveitos de aplicações de liquidez (pelo menos 28%) condicionaram um desempenho superior da margem financeira, concluiu a KPMG-Angola, na sétima edição da análise ao sector bancário angolano, realizada em 18 de Novembro de 2016, em Luanda.

A margem complementar cresceu 51%, o incremento mais elevado do sexénio 2010-2015, potenciado por um crescimento dos resultados com operações cambiais de 83%, fruto da evolução do kwanza, face ao dólar, e do elevado valor de títulos indexados, emitidos pelo Estado e tomados pelas instituições.

Desta forma, a margem financeira no período 2015 correspondeu a 54,4% da estrutura do produto bancário, enquanto em 2014 equivaleu a 57,8%. A margem complementar perfez 45,6%, e no exercício homólogo transacto perfizera 42,2%.

Custo das operações

O cost-to-income cifrou-se em 42,3%, registando o melhor valor entre o período 2010-2015. A melhoria é reflexo do crescimento do produto bancário (39,7%), superior aos custos operativos (15%), muito influenciado pelos resultados de operações financeiras.

A rentabilidade da banca registou em 2015 níveis semelhantes aos do ano transacto. O Retorno dos Capitais Próprios (ROE) cifrou-se nos 14,3%, enquanto o Retorno dos Activos Médios (ROAA) ficou fixado nos 1,6%; um acréscimo de 0,03% e 0,04% respectivamente.

“Apesar do crescimento relevante dos resultados das operações financeiras e margem financeira, tem havido preocupação das instituições em preparar-se para fazer face à evolução negativa do ciclo económico, através do expressivo do nível de provisionamento das carteiras de crédito.”

Solvabilidade

O rácio de solvabilidade agregado foi de 30,3%, 7,2 pp acima do verificado em 2014. O reforço dos níveis de solvabilidade deverá traduzir-se numa maior robustez do sector bancário angolano, suportando o cumprimento do limite máximo exigido pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que é de 10%.

“A entrada em vigor do novo normativo, referente ao apuramento dos rácios prudenciais, vai implicar alterações no método de cálculo que podem resultar em alterações na análise destes valores”, disse o chefe de auditoria e serviços financeiros da KPMG-Angola, Vítor Ribeirinho.

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