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Seguradora aponta regime de co-seguro como alternativa ao resseguro

03/09/2015 - 18:12, Banca, Seguros

Executivo de seguradora diz que o expatriamento de valores seria feito apenas depois de esgotada a capacidade de dispersão do risco pelas diferentes seguradoras no País.

Por Estêvão Martins | Fotografia Walter Fernandes

A aposta ao regime de co-seguro para a partilha de um determinado risco é uma alternativa às operações de resseguros que actualmente são realizadas no exterior do País, defendeu ao Mercado o administrador para a área de Resseguro e Investimento da Confiança Seguros.
Nataniel Fernandes precisou que essa seria uma das medidas para frear o expatriamento de valores financeiros, uma realidade visível na actual conjuntura das seguradoras.
Defende também que, para riscos avultados e de grande importância, a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), ou o Governo, deveria criar o regime de co-seguro obrigatório, no qual a seguradora detentora do risco seria livre de escolher com quem trabalhar e repartir o risco internamente.
Para Nataniel Fernandes, o expatriamento de valores monetários seria feito apenas depois de esgotadas as capacidades de dispersão do risco pelas diferentes seguradoras no País.
Considera que este facto traria benefícios às próprias seguradoras nacionais, além de fortalecer as suas capacidades financeiras, sugerindo ainda que, a nível da Associação de Seguradoras de Angola (ASAN), é necessário promover a discussão do tema para o fortalecimento do mercado segurador.
“A modalidade do co-seguro-seguro não tem sido devidamente aplicada no País, uma vez que beneficia apenas determinadas seguradoras que concentram em si o risco, ao invés da partilha com as demais seguradoras do mercado”, revelou.
Em relação ao programa em curso, a nível da ARSEG, com vista à criação da Empresa Nacional de Resseguro, a Ango-Re, que faria com que as operações de resseguro deixassem de ser feitas no exterior do País, Nataniel Fernandes regozijou-se com o programa, uma vez que proporcionaria a retenção de divisas no País.
“Urge caucionarmos medidas para que parte dos prémios de resseguro permaneça no País. Mais ainda numa altura em que nos debatemos com a falta de divisas motivada pela queda do preço do petróleo no mercado internacional”, afirmou.

Carteira de clientes
Nataniel Fernandes indicou que a Confiança Seguros possui uma carteira de 1500 clientes no ramo do seguro automóvel, entre particulares e empresas, que aliás fazem parte da base de clientes da empresa.
Conforme disse, a seguradora também se tem debatido com a problemática da renovação da apólice do seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel. A meta da seguradora, segundo observou, é de que pelo menos 80% das apólices sejam renovadas.
Para tal, acrescentou, a empresa tem mantido contacto com os seus clientes, por intermédio de um call center, alertando-os da necessidade e da importância da renovação da apólice do seguro automóvel.
Os alertas são feitos igualmente por correio electrónico e SMS, sendo que a taxa de renovação se situa na ordem dos 70%.
A taxa de sinistralidade actual é também de 70%, número considerado elevado em relação aos dois primeiros anos de actividade da seguradora (2013 e 2014), altura em que a taxa de sinistralidade se situava abaixo dos 30%.
A resposta da seguradora aquando de um sinistro tem sido natural, de acordo com Nataniel Fernandes, que explica: “Temos resolvido todos os sinistros que nos são reportados, inclusive aqueles cuja veracidade dos factos suscita dúvidas, porque pensamos sempre na terceira pessoa envolvida no acidente.”
A estratégia acima referenciada cria uma boa imagem para a empresa e dá mais confiança ao segurado, segundo o executivo da Confiança Seguros, que também admite que há necessidade de se mudar o quadro de sinistralidade no País, uma vez que são vidas humanas que se perdem e determinada capacidade produtiva.
A Confiança Seguros tem estado a expandir os seus serviços em todo o território nacional. Recentemente, a seguradora firmou um acordo com os Correios de Angola para que os seus produtos sejam comercializados nos balcões da instituição.
Segundo o administrador, até agora a seguradora conta com balcões nas províncias de Luanda, de Benguela e do Cunene, mas, fruto desse acordo de cooperação, a Confiança Seguros estará presente em todas localidades do País onde os Correios de Angola possuem dependências.
O lançamento do programa deu-se na agência-sede dos Correios, em Luanda, e “ao longo dos próximos meses pensamos estar implantados em todo o território nacional”, completou, notando que, no âmbito deste acordo, a seguradora prevê formar jovens que irão trabalhar no programa.

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