Mercado

Companhias devem criar alternativas para atrair novos clientes

17/01/2017 - 08:45, Seguros

O sistema ADC – Autorização de Débito em Conta é uma das alternativas que as companhias devem seguir para preservar e atrair novos clientes.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

Em função da redução dos prémios em alguns produtos de seguros, as companhias devem encontrar outras alternativas para fazer com que o segurado continue a sentir-se aliciado pelo sector, através da disposição de novos produtos e serviços, defendeu o director adjunto da Academia de Seguros e Fundo de Pensões (ASFP).

Em entrevista ao Mercado, Júlio Matias precisou que uma das situações que faz com que as empresas ou mesmo os particulares desistam das carteiras de seguros tem que ver, as vezes, com o volume de prémios que têm de pagar às seguradoras.

Neste caso, avança, as próprias companhias devem adaptar-se e encontrar mecanismos para inverter o quadro.

“É bem verdade que o sector regista uma diminuição em relação ao volume global de prémios, em virtude da actual conjuntura económica nacional e as seguradoras devem adaptar aos novos ventos, fazendo novos investimentos”, defende.

Para Júlio Matias, o sistema ADC – Autorização de Débito em Conta, por exemplo, utilizado por algumas seguradoras, é uma das alternativas para preservar e atrair novos clientes. Devem apostar em produtos mais dirigidos, ou seja, aqueles que vão de acordo ao seu bolso e necessidade. “Nós enquanto academia de seguros pensamos de forma positiva. Olhando para Angola podemos afirmar que para os próximos anos vislumbra-se um horizonte positivo para o sector”.
“Urge salientar que as seguradoras não devem depender pura e simplesmente do preço do barril de petróleo. É preciso investir em outros sectores para que possamos aumentar o volume de prémios e contribuir para o desenvolvimento da economia do País”, ressalta.

“Estamos a falar de investimento financeiro, investimento material e investimento técnico”, aponta, adiantando que o sector deve dispor de mais pessoal especializado e que se dedique a actividade seguradora como tal. “Estamos a falar de técnicos para a regularização de sinistros, porque a resolução de um sinistro é um dos principais campos da actividade seguradora, porque põe em risco o lesado como a própria imagem da seguradora”, disse.

Em termos de balanço, Júlio Matias refere que a ASFP, criada em Agosto de 2005, fez ao longo deste período, formações em diferentes sectores, principalmente em relação ao seguro de responsabilidade civil obrigatório.

“Realizamos igualmente a Conferência sobre Fundo de Pensões e fechamos o ano com a Conferência sobre Governança Corporativa nos Seguros. Ou seja conseguimos realizar, em um ano, três conferências que de certa forma marcaram o sector de forma positiva”, disse.

Plano de formação

A par disso, a ASFP também fez formações na área de introdução à actividade seguradora e em relação aos acidentes de trabalho e doenças profissionais, segundo o responsável.

Outras acções cingiram-se em relação aos seguros de viagens e seguro de saúde. “Temos sido avaliados pelos nossos clientes (seguradoras e pessoas singulares) que acham positivas as nossas actividades”, esclarece, notando que as acções tendem a prosseguir em 2017.

Com efeito, Júlio Matias acredita que a instituição cumpriu com as suas atribuições, na medida que todas as acções desenhadas para 2016 foram realizadas.
Júlio Matias lembra que uma das missões da ASFP é fomentar a cultura dos seguros dentro das sociedades, lembrar ao cidadão da importância do seguro.
Afirma que a ASFP é a única instituição no mercado vocacionada ao ensino e a educação da actividade seguradora no País. Para Júlio Matias, as acções da academia deverão fortalecer o sector segurador e contribuir para a criação de uma base sólida de especialistas.

“Um dos objectivos da instituição é receber todos aqueles indivíduos que pretendem fazer parte do mercado segurador, prepará-los, num período inicial de seis meses e colocá-los à disposição das próprias seguradoras”, esclarece.

Acrescenta que o estudante proveniente da universidade pode inscrever-se na ASFP, fazendo o curso de introdução à actividade seguradora e o curso de seguro júnior. “É-lhe atribuído um certificado e torna-se apto para concorrer a uma vaga em qualquer seguradora no País”, explica. Indica, por exemplo, o BIC Seguros, Universal Seguros, A Mundial Seguros, seguradoras que têm formado os seus técnicos na ASFP. Durante o ano transacto, Júlio Matias refere que foram formados pela ASFP cerca de 90 especialistas.

Adianta que a maioria é funcionários das seguradoras. Os particulares são entre 15 a 20 formados.

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