Mercado

Concentração é inevitável, diz especialista

28/02/2018 - 15:58, featured, Seguros

Apenas por via da concentração as companhias conseguirão ganhar dimensão e escala para terem margens de solvência mais sólidas e maior capacidade de retenção de riscos, defende o chefe dos Serviços Actuariais da PwC, Nuno Matos.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

O actual contexto macroeconómico é desfavorável ao aumento da massa segurável, e é muito difícil, neste contexto, o mercado segurador crescer, num cenário de recessão económica, acompanhado de hiperinflação. Neste contexto, várias ‘saídas’ têm sido equacionadas para o sector segurador. Uma delas passa pelas fusões ou aquisições de seguradoras. Ou seja, umas acabarão por se juntar ou ‘engolir’ as mais pequenas, sobretudo aquelas com maiores dificuldades financeiras. Outras, sem hipótese de sobrevivência, não terão outra alternativa senão fecharem as portas. Nas últimas semanas, houve rumores sobre uma fusão entre a Fidelidade e a Nossa Seguros – duas das principais seguradoras do mercado, o que foi entretanto  desmentido  pelas  duas companhias.

Ao Mercado, o CEO da Nossa Seguros, Carlos Duarte, confirma ter ouvido os rumores, mas negou que haja conversações sobre o tema. Por sua vez, o CEO da Fidelidade, apesar de desmentir as informações, não descarta a possibilidade de ir às ‘compras’, caso haja oportunidades. “É uma questão de oportunidade, não estamos  fechados”,  diz  Armando Mota. Mas Nuno Matos, chefe dos Serviços Actuariais da PwC, avança, que, provavelmente, as companhias passarão a deter participações em negócios complementares ao dos seguros, como hospitais, clínicas, empresas de assistência em viagem, peritagens, oficinas, entre outros, face às dificuldades do mercado.

Nuno Matos destaca que, com o desenvolvimento do mercado de capitais, é expectável que haja “um progresso significativo dos produtos financeiros do ramo vida e dos fundos de pensões”. Mas, para tal, a fiscalidade também deverá colaborar. Do ponto de vista comercial, de acordo com Nuno Matos, é provável que assistamos a mais cross selling via canal bancassurance. O responsável acrescenta que se antevê ainda um desenvolvimento exponencial do canal digital nos próximos anos. O gestor admite também que haja um aumento progressivo, nos próximos tempos, da literacia financeira da população. Tal, afirma, conduzirá a um aumento progressivo do consumo de produtos de seguro e, consequentemente, da taxa de penetração.

Concentração à vista

Nuno Matos enfatiza que o sector terá mesmo de concentrar-se, fenómeno mais amplo que engloba fusões, aquisições e encerramento de seguradoras, e tornar-se mais pequeno. No seu ponto de vista, somente por via da concentração as companhias conseguirão ganhar dimensão e escala para terem margens de solvência mais sólidas e maior capacidade de retenção de riscos. Tal, acrescenta, trará igualmente maior capacidade negocial com os resseguradores internacionais, irá melhorar a rentabilidade dos capitais próprios, gerar melhores sistemas de informação, profissionais mais preparados e maior capacidade de investimento em inovação e desenvolvimento. O especialista justifica a sua opinião alegando que o crescimento orgânico não é possível. Resta o crescimento por concentração, que trará também sustentabilidade ao sector no médio e no longo prazo. Os consumidores têm inúmeras vantagens neste processo, uma vez que vão subscrever os seus seguros em companhias mais solventes, mais profissionais e com tarifas sensíveis, segundo Nuno Matos Juntam-se ainda as necessidades de capitalização das companhias, a existência de sinergias ao nível dos canais comerciais, e os ganhos de dimensão e de escala, que permitem reter maiores riscos.

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