Mercado

O retrato da primeira e única companhia pública de seguros

23/01/2018 - 11:06, featured, Seguros

Durante 40 anos, a ENSA garantiu a gestão e a protecção financeira de grandes riscos segurados em Angola.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

Em Abril de 2018 completam-se os 40 anos da criação da primeira companhia de seguros nacional, a ENSA, que monopolizou, em 1978, o mercado com a alienação das 26 seguradoras emanadas da era colonial, assegurando a gestão dos riscos.

A companhia líder do mercado, ao longo desses 40 anos, resistiu à evolução da história, adaptando-se às mudanças do mercado, enfrentando os desafios da concorrência e contribuindo para o crescimento do País, conforme elencou o chairman da seguradora. Manuel Gonçalves, que falava na cerimónia de lançamento das comemorações dos 40 anos de actividade, nota que hoje a marca ENSA é profundamente reconhecida pela sua notoriedade e abrangência dos seus produtos.

“Somos hoje uma combinação perfeita entre uma empresa de capitais públicos, que tem vindo a ser referenciada pela tempestividade, o rigor, a transparência na prestação de contas e a solidez financeira, que nos confere rating internacional”, assegura. Afirma ainda que, durante esses anos todos, a ENSA garantiu a gestão e a protecção financeira de grandes riscos segurados em Angola, como os riscos referentes ao sector petrolífero, tendo igualmente assumido grandes responsabilidades por sinistros que ocorreram em diferentes áreas do País. Ainda neste período, fundamentalmente na primeira metade, assinala Manuel Gonçalves, no País não existia a cultura de seguros, e a organização que dirige contribuiu para a promoção da literacia financeira. “Não existia também no passado uma entidade de regulação de seguros, e é indiscutível afirmar que a ENSA influenciou e contribuiu para a criação de uma instância de fiscalização, o ISS – Instituto de Supervisão de Seguros, que deu origem a ARSEG – Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros.”

ENSA Futuro

A partir de 2007 deu-se início a um profundo processo de transformação denominado ENSA Futuro, que contou quatro fases distintas. A primeira, o Back on Track, decorreu entre 2007 e 2008. A segunda fase, denominada Transformar, deu-se de 2008 a 2009. Seguiu-se Evoluir, de 2009 a 2010, e Consolidar, entre 2010 e 2017.

“Fizemos também profundas transformações no plano tecnológico, procurando as melhores soluções no sentido de suportar o nosso modelo de trabalho e alavancar a expansão do negócio”, refere. Com efeito, ressalta, a companhia criou novos produtos e serviços, sendo pioneiros e inovadores nesta matéria, adaptando-se sempre às necessidades dos clientes. Outra questão importante tem que ver com os investimentos significativos realizados no capital humano, através do recrutamento e da retenção de quadros, da formação e da aquisição de talentos. A seguradora dispõe de 633 trabalhadores, ao contrário dos 50 que tinha em 1978, a maioria  proveniente  das  antigas companhias de seguro portuguesas.

Do  número  actual,  32%  têm  formação superior, 52% possuem formação média, e há apenas 16% com formação básica. Do total de funcionários, 37% são do género feminino, e 63% são do género masculino. No âmbito da responsabilidade social, por exemplo, avança o chairman, a ENSA possui um fundo de pensões fechado, complementar à segurança social, e um fundo de empréstimos para os trabalhadores.

Outra regalia é o acesso ao crédito bancário habitacional. Manuel Gonçalves indica que, só num banco, os trabalhadores da ENSA beneficiaram de cerca de 32 milhões USD de crédito à habitação.

Relativamente a produtos e serviços, a empresa tem sido inovadora e conta com a maior oferta do mercado, superior a 20 produtos. O responsável máximo da ENSA recorda que existem no mercado quatro co-seguros especiais, e todos eles são geridos e têm como líder a ENSA. Trata-se do co-seguro dos petróleos, da aviação pública, dos riscos da exploração diamantífera e a gestão dos riscos concernentes à actividade agrícola.

“Temos o modelo de governance, de risco, de controlo interno e de complianceadequados, e somos a única companhia presente em todo o território nacional”, afirma. Passados 40 anos, a companhia conta cerca de 30 agências nas 18 províncias do País, além de outros canais de distribuição. Há 40 anos, por exemplo, a seguradora detinha apenas os escritórios centrais localizados em Luanda, e em 1980 teve início  o  processo  de  abertura  de agências fora de Luanda. Em 2017, a companhia realizou jornadas de reflexão que contaram com a participação de 600 trabalhadores, onde foram definidos seis grandes objectivos estratégicos a alcançar entre 2018 e 2020.

O primeiro é manter a liderança do mercado segurador angolano. O segundo visa manter uma maior proximidade com o cliente e maior especialização da oferta por segmento. O terceiro objectivo é o de ter um maior envolvimento com a marca ENSA e o reforço da fidelização com os clientes. O quarto objectivo é de ser o exemplo na qualidade de serviços prestados aos segurados. O quinto tem que ver com o reforço da componente digital, e o sexto objectivo estratégico é o reforço a cultura de excelência e orientação para o negócio, numa organização de base meritocrática.

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