Mercado

Thiam passa liquidez dos EUA para a Ásia

01/10/2015 - 10:14, Banca, Banca

Com 103 mil milhões USD sem quaisquer progressos na renda, o CEO da Côte d’Ivoire à frente do banco suíço faz o que prometeu quando tomou posse em Julho.

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg

O Credit Suisse , o segundo maior banco da Suíça (o primeiro é UBS), está sob pressão dos accionistas – as acções do banco estão em queda – para minimizar os riscos na banca de investimentos e, em contrapartida, alocar mais recursos à gestão de fortunas. Inside information dá conta de que Tidjane Thiam, o CEO do Credit Suisse, já tem uma estratégia, que apresentará em breve, e que inclui vender o banco privado dos EUA. Medida acompanhada por um aumento de capital da instituição financeira.
Christoph Meier, o porta-voz do Credit Suisse em Zurique, recusou comentar estas notícias mas adiantou que nada disto está muito distante do que Thiam definiu, logo em Julho, quando tomou posse, vindo da Prudential, que passa por dar maior atenção à economia na Ásia e libertar-se de estratégias de riscos no Ocidente. Recorde-se que, no seu primeiro memorando, o gestor africano escreveu que seria “implacavelmente selectivo” nos critérios do banco para alocar recursos.
O negócio de private branking nos Estados Unidos vale 400 a 600 milhões de francos suíços (cerca 412 milhões USD), um negócio orientado para grandes clientes e hedge fund que não tem feito grandes progressos. Pior, oferece maiores riscos e exige uma almofada maior para prevenir eventuais perdas.
O governo suíço decidiu tomar uma série de medidas, a implementar até ao final do ano, que passam por elevar os rácios da alavancagem , colocando a banca sobre maior pressão para cumprir as suas obrigações financeiras. Aliás, estima-se que o capital alocado em corretagem possa ser reduzido em mais de 25%.
Credit Suisse voltou aos lucros no segundo trimestre deste ano, depois das perdas do ano anterior, quando os ganhos foram atingidos por uma multa num caso a evasão fiscal nos EUA. Écaso para dizer que a experiência no país da América do Norte se transformou num caso de má memória.
Diz-se, também ,que Tidjane Thiam irá, finalmente, dar outra arrumação à casa com uma reestruturação no board. Thiam deve afastar alguns dos elementos que herdou da administração de Brady Dougan, o ex-CEO do Credit Suisse. Entre eles estão Robert S. Shafir (CEO para a região americana) e o CFO David Mathers. Shafir deve sair, e Mathers reajustado só nas funções de IT e Operações.

Luxemburgo, a nova ‘fortaleza’ financeira
Enquanto isto, confirma-se que os bancos suíços, liderados pelo Credit Suisse, estão a intensificar as operações no Luxemburgo, criando um hub para os clientes dos 28 países da União Europeia.
Segundo a Bloomberg, com a Suíça assolada pela erosão do sigilo bancário, com novas regras de alavancagem do sistema financeiro e com o impasse na relações do país com a União Europeia, os bancos suíços estão a construir uma nova ‘fortaleza’ no Luxemburgo.
Pictet & Cie e Lombard Oider, dois dos maiores bancos privados de Genebra, seguiram o caminho dos outros bancos e passaram para o Luxemburgo, e com eles, uma dúzia de empresas suíças. O Luxemburgo está mesmo a disputar com Londres e Frankfurt o hub para os serviços financeiros da UE. Conta com a robustez do sigilo bancário e alguma tolerância nas estruturas de evasão fiscal.
O pequeno país, com uma população de 560 mil pessoas, está lotado de empresas financeiras que detêm 4 biliões USD em fundos de investimentos e 700 mil milhões USD em riqueza privada – um valor superior ao que se encontra na Suíça. Romeo Lacher, o CEO de private banking para a Europa, Médio Oriente e África, do Credit Suisse, afirmou que o Luxemburgo “éuma âncora sólida na União Europeia”.
Como já se percebeu, o Credit Suisse, que pretende reorganizar-se estratégica e geograficamente – dos EUA para a Ásia, faz, ainda, outras apostas. O banco, que se mantém como a quarta maior instituição do mundo na gestão de riqueza individual, assumiu que o Luxemburgo é ‘fortaleza’ fora da Suíça, ainda que não divulgue o valor do activos sob gestão no país.
Patrick Oider, o presidente da Associação Suíça de Banqueiros, e CEO do Lombard Odier, considerou, recentemente, que “o sector bancário na Suíça está a ser marginalizado e corre mesmo o risco de ser excluído do mercado europeu”. Actualmente, os bancos suíços não estão autorizados a interagir directamente com os seus clientes europeus a partir da Suíça, uma vez que o país não faz parte da EU. Tem duas possibilidades, contactá-los localmente no país em que residem, ou pedirem aos clientes para se deslocarem à Suíça. Há agora uma terceira possibilidade, e parece que a mais provável, criar um hub num outro país da EU – no caso, no Luxemburgo.

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