Mercado

Alphabet, o guarda-chuva de todos os negócios da Google

03/09/2015 - 11:36, Business, Tecnologia

Esta reorganização permite que os investidores e Wall Street compreendam melhor como o dinheiro é usado pelo grupo, porque separa os negócios que dão lucro dos mais visionários.

Por Ana Maria Simões | Fotografia Bloomberg
A Google surpreendeu o mundo anunciando a reestruturação histórica do grupo fundado em 1998, criando uma holding com o nome de Alphabet. No “after hours” a seguir ao anúncio, as acções valorizaram 5,4% e passam para 699 USD por título.
Horas depois, também a BMW está a dizer que não gostou. Alphabet: é marca e domínio na Internet da BMW. A marca alemã ameaça processar a empresa de Larry Page e Sergey Brin.
A verdade é que Alphabet não é o mais original dos nomes, várias empresas o têm. E o mais irónico é que bastava googlar para se perceber isso mesmo. Alphabet é nome de uma subsidiária da BMW e de várias pequenas e médias empresas com ligeiras variações. No Twitter, o utilizador @alphabet – que também já estava registado – era aconselhado pelos seguidores a pedir uma quantia choruda pela cedência do nome. Na Grã-Bretanha, uma empresa de recursos humanos com o mesmo nome reagiu com algum humor sentindo-se valorizada.
Segundo a lei norte-americana, só há conflito quando se trata de duas marcas a actuar no mesmo segmento de mercado, ou seja, se houver o risco de confundir o consumidor. E há. Os negócios das duas empresas cruzam-se, uma vez que a Google detém a aplicação Google Maps e está a desenvolver carros inteligentes que não necessitam de condutor. A alternativa seria a Google comprar o domínio de Internet à BMW, mas porta-voz da marca já deixou claro, em declarações ao New York Times, que a venda do domínio não está nos planos da fabricante de automóveis.
Larry Page explicou a escolha do nome como: “Nós gostamos do nome Alphabet [alfabeto] porque a colecção de letras representa a linguagem, uma das inovações mais importantes da humanidade.” A intenção é boa, o sentido é eficaz, o problema é que a BMW e muitos outros pensam exactamente o mesmo.
A Google tem um valor de 434,44 mil milhões USD (números da Forbes) e receitas anuais de cerca de 60 mil milhões USD. Com esta reestruturação pretende, dizem, obter uma maior transparência perante os investidores em relação ao desenvolvimento de todas as áreas do grupo. Leva também à separação, e a uma maior definição, entre as empresas que fazem dinheiro – sobretudo a Google, que passa a ser uma filial a 100% da nova casa-mãe e que continua com a sua base de pesquisa na Net, publicidade, cartografia, aplicações, sistema de exploração Android e YouTube – e os projectos mais visionários. Não permitindo que umas áreas de negócio possam comprometer as outras.
Esta estrutura empresarial lembra a muitos, a demasiados, a estrutura da Berkshire Hathaway (o império industrial de Warren Buffett). E o próprio Page, numa reunião interna do grupo, o terá admitido. É a segunda ironia desta reestruturação, o gigante tecnológico, o mais inovador dos negócios, a estabelecer um modelo de gestão corporativa utilizado por um tycoon de 84 anos.
Alphabet vai substituir a Google como a entidade cotada em bolsa. A mudança deve ser efectiva até ao final do ano.

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