Mercado

Accionistas poderão receber dividendos a partir de 2024

03/07/2017 - 08:31, Business

Empresa garante que está a gerar, desde o ano passado, receitas suficientes para pagar a operação e os financiamentos bancários.

Por Roberto Alves

roberto.alves@mediarumo.co.ao 

Os accionistas da Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom) poderão receber dividendos em 2024, ano em que se prevê que o projecto dê lucro, após o investimento realizado, incluindo o pagamento do financiamento de cerca de 500 milhões USD a um sindicato de bancos angolanos, revelou, nesta semana, o director comercial da empresa, Fernando Koch.

O responsável, que falava durante encontro com jornalistas, garantiu que a Biocom está há mais de um ano a gerar receitas, conseguindo, assim, manter os seus pagamentos à banca comercial nacional em dia.

“Estamos a honrar os nossos compromissos com os bancos e damos resultados satisfatórios aos accionistas, não sendo necessário que coloquem mais dinheiro na empresa. Compete agora à gestão manter os pagamentos ao sindicato de bancos em dia e gerar receitas, para que se consigam atingir lucros em 2023 e 2024, que se reflictam em dividendos para os accionistas”, disse o gestor.

Essa previsão resulta do crescimento anual dos níveis de produção, sendo que a colheita 2017/2018, de acordo com uma nota da empresa, deverá aumentar 15% face às 52 mil toneladas da safra anterior. Segundo o director-geral-adjunto da empresa, Luís Bagorro Júnior, a produção aumenta todos anos, tal como a área plantada, havendo, por isso, mais cana para colher e processar.

“Este projecto, ao contrário de muitos que surgem no País, tem a maisvalia de produzir a sua própria matéria-prima.Temos outra mais-valia, que é disponibilizar três produtos para o mercado nacional, nomeadamente, açúcar, etanol e energia eléctrica”, referiu.

A fábrica da Biocom tem capacidade instalada para processar 250 mil toneladas de açúcar por ano e foi projectada para atingir esta capacidade no final desta primeira fase, ou seja, no biénio 2020/2021. Neste momento, o projecto ocupa 19 mil hectares de cana-deaçúcar plantados e, na data de maturidade, esta área será de 40 mil hectares.

A Biocom tem uma carteira de cerca de 500 clientes; a maior parte deles compra açúcar, e a indústria nacional de bebidas, principalmente espirituosas, compra o etanol hidratado.

A produção de etanol comercializada ronda, segundo Fernando Koch, um milhão de litros por mês, ao passo que a energia eléctrica, gerada com a queima de bagaço e cavaco da cana, é vendida à RNT.

A Biocom é uma sociedade privada que tem como accionistas a Sonangol (20%), o grupo Cochan (40%) e a Odebrecht Angola Projectos e Serviços Lda. (40%), que contribuíram com 250 milhões USD para a primeira fase de implementação do projecto, cujo investimento ascendeu a cerca de 750 milhões USD.

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