Mercado

Alerta para produtores de café: consumo aumenta nas emergentes

15/10/2015 - 13:43, Business, Consumo

Os consumidores de café precisarão de outro Brasil, maior produtor e exportador dos grãos no planeta, para evitar uma iminente escassez. O momento ideal para Angola tomar as rédeas.

Fotografia Bloomberg

Devido ao consumo crescente, especialmente nos mercados emergentes, a produção mundial terá de aumentar mais 40 milhões a 50 milhões de sacas de café na próxima década, palavras de Andrea Illy, presidente do conselho e CEO da Illycafe, empresa de torrefacção de café com sede em Trieste, na Itália. O volume é maior que toda a safra do Brasil.
Some a isso a iminente ameaça da mudança climática e os baixos preços, que estão claramente a desencorajar os produtores rurais a aumentar a produção, e temos um potencial problema. Produtores, autoridades de governo e representantes da indústria vão abordar este assunto nesta semana, no Fórum Global do Café, em Milão.
“Mais cedo ou mais tarde, dentro de meses ou anos, teremos de tomar uma decisão corajosa a respeito do que fazer”, diz Illy, em entrevista. “Não sabemos de onde virá esse café.”
O mundo deverá registrar um défice de 3,5 milhões de sacas na produção de café na safra 2015-2016, que começa nesta quinta-feira, refere a negociante Volcafé, com sede em Winterthur, na Suíça. O défice dá-se após uma escassez global de 6,4 milhões de sacas no ano anterior. A última safra do Brasil foi prejudicada por uma seca severa, em 2014, que elevou os contratos futuros do arábica em Nova Iorque em cerca de 50% naquele ano. Desde o início de 2015, os preços recuaram 27% devido à queda do real frente ao dólar, o que aumentou o apelo das exportações brasileiras.

Aumento do consumo
O consumo global de café crescerá em um terço, para 200 milhões de sacas, por volta de 2030, segundo Michael R.Neumann, presidente do conselho de administração da Hanns R. Neumann Stiftung, uma fundação afiliada à negociante Neumann Kaffee Gruppe, com sede em Hamburgo. A produção, fixada em 144 milhões de sacas neste ano, poderá aumentar para atender o consumo de um mercado equilibrado em 2030, desde que os pequenos produtores possam aumentar sua produtividade até lá, refere.
A mudança climática ameaça um quarto da produção do Brasil, e os produtores da Nicarágua, de Salvador e do México enfrentarão possíveis perdas, a menos que os fazendeiros se adaptem, segundo um estudo publicado em Maio pelo Centro Internacional de Agricultura Tropical. Talvez seja preciso transferir as áreas produtivas da América Central para a região Ásia-Pacífico ou para partes mais ao leste da África, onde as safras podem ser cultivadas em altitudes mais elevadas, segundo o relatório.
O café arábica, grão premium usado por cafeterias como o Starbucks, está mais exposto ao risco do aumento das temperaturas, segundo Illy. A variedade robusta é mais resiliente, como indica o nome. O Brasil é o maior produtor do arábica, e o Vietname é o maior produtor do robusta. A Illy utiliza apenas o arábica.
Os produtores já estão a realizar mudanças para se adaptar às crescentes temperaturas, segundo Jean-Marc Duvoisin, CEO da Nespresso, da Nestlé. Aempresa recebe café de partes da América Latina, da Ásia e da África.
“Eu visito fazendas com bastante frequência, e elas estão cada vez mais a subir montanhas”, diz Duvoisin. “Oaquecimento provoca um impacto negativo.” O alerta está lançado.

NR/Bloomberg

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