Mercado

Angocajú lança nova linha de frutos secos

13/02/2018 - 11:39, Business

Empresa diversifica oferta, iniciando, em Março, a venda de frutos secos de origem nacional.

Por Vânia Andrade

A Angocajú, fábrica que processa e comercializa castanha de caju, no Pólo Industrial de Viana, Luanda, investiu recentemente na produção de frutos desidratados e sabão, revela ao Mercado o director-geral da empresa, Camilo Ortet. Embora, para já, o fabrico dos novos produtos esteja a ocorrer em quantidades reduzidas, o gestor garante estarem reunidas as condições para a sua entrada no mercado nacional. Ainda em fase experimental, têm sido produzidos, diariamente, 150 kg de fruta nacional (ananás, manga, banana). “Os frutos desidratados, devidamente embalados, serão comercializados a partir de Março”, adianta, revelando que o sabão, produzido com o óleo vegetal extraído do caju, já “está a ser vendido” em praças e mercados.

Sobre o processamento de caju , o director-geral afirma que, desde 2016, ano de arranque da empresa, a actuação da Angocajú no mercado “tem sido muito positiva”, embora a capacidade de produção diária não corresponda às expectativas.

A fábrica tem capacidade para processar 350/400 kg de castanhas por hora, o que, em turnos de oito horas, resultaria em 2800 kg de produto por dia, mas, actualmente, faz apenas 560 kg diários, revela. Em causa está o facto de o caju nacional existir em reduzidas dimensões e de ter pouca qualidade, por falta de cuidados no terreno e de tratamento do cajual existente, levando a empresa a recorrer temporária mente à importação de castanhas de caju sem casca. Entretanto, a Angocajú irá, brevemente, iniciar a produção do fruto em  terrenos  seus,  em  Kivungo  – N’zeto,  na  província  do  Zaire.  “Se não houvesse um grande atraso na concessão do terreno, a produção do caju já teria arrancado e ficaríamos auto-suficientes”, salienta o director-geral.

A Angocajú tem uma carteira de clientes de grande valor, sublinha Camilo Ortet. Incluem-se na lista grandes lojas emblemáticas do País, para além da Sky Chefs Catering, que presta serviços à TAAG, à Lufthansa, à Air France e à TAP. A marca tem ainda uma parcerias com Candando, Casa dos Frescos, Shoprite, Kero, Alimenta Angola, Sonangol Distribuidora e Nosso Super Na gestão corrente, explica Camilo Ortet, a empresa tem primado pelo controlo de custos e despesas, sendo que o controlo de qualidade é, desde o início, uma prioridade, também porque a Angocajú está de olhos postos em mercados internacionais. “Estamos a ‘exportar’ o nosso produto de forma indirecta, por via do que é fornecido em aviões, e é importante que os nossos governantes vejam isso, porque o nome e a bandeira de Angola consta nas embalagens e, desta forma, ‘levamos’ o nosso País para o exterior”, enfatiza.

A Angocajú arrancou em Julho de 2016 um projecto integrado no programa do Ministério da Economia Angola Investe, que apoia o desenvolvimento de micro, pequenas e médias empresas, tendo tido financiamento do BAI. Considerada a primeira fábrica nacional a processar produtos provenientes do caju, é uma sociedade de capital 100% angolano, sendo todos os recursos humanos nacionais. A ideia de implementar este negócio em Angola surgiu depois de os seus mentores terem participado num projecto idêntico em Moçambique. “Trouxemos especialistas na área para fazer um estudo de sensibilidade, com o levantamento de todas as variáveis, e chegámos à conclusão de que tínhamos as condições reunidas para trazer o projecto para cá”, recorda. De Moçambique vêm parte das castanhas já limpas, sendo o processamento feito em Angola.

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