Mercado

Angola ‘aterra’ com atraso na BTL

06/03/2018 - 16:06, Business, featured

A presença de operadores turísticos angolanos na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) esteve em risco, devido a dificuldades financeiras na aquisição de bilhetes para Portugal. O problema acabou por resolver-se, mas os operadores chegaram com atraso ao certame.

Por André Samuel

andre.Samuel@mediarumo.co.ao

A delegação angolana estava de viagem ‘marcada’ para a passada terça-feira, véspera do arranque da BTL – que termina no próximo domingo mas acabou por voar apenas na quarta-feira de manhã, devido às dificuldades encontradas para pagar os bilhetes e na obtenção de vistos.

Em declarações ao Mercado, o secretário-geral  da  Associação  das Agências de Viagens e Operadores Turísticos de Angola (AAVOTA), Augusto Pedro, acusa a TAAG de praticar tarifas demasiado elevadas, em vez de oferecer ‘pacotes’ específicos, ou de praticar descontos adequados. De acordo com o responsável, os bilhetes para Lisboa estavam a ser vendidos a 290 mil Kz, com a possibilidade de um desconto de 20%, que os operadores entenderam ser reduzido, dado que pretendiam gastar, no máximo, cerca de 150 mil Kz por passagem.

Em causa, segundo Augusto Pedro, está o facto de os operadores estarem a representar o País no exterior, num evento que pode vir a contribuir para que sejam canalizados investimentos – para além de turistas – para o País. O secretário-geral da AAVOTA entende que a companhia de bandeira nacional deveria, de resto, ter ‘pacotes’ não apenas para os seus associados, mas virados para a promoção da vinda de turistas estrangeiros a Angola, de modo a incentivar a actividade. E lamenta que as promoções da TAAG apenas ocorram em datas que “convêm” à empresa, sem que haja um alinhamento com a intenção do Presidente da República, João Lourenço, que tem vindo a apelar à potenciação de um sector que entende ser de “relevante importância” para a economia nacional. Contactada pelo Mercado, fonte oficial do Instituto de Fomento ao Turismo (INFOTUR) garante que “tudo foi feito”, junto da TAAG, para se resolver o impasse, tendo o preço dos bilhetes ficado em 180 mil Kz, mas acabou por haver um atraso na partida.

Câmbio flutuante encarece preços

Ao Mercado, o porta-voz da TAAG, Carlos Vicente, explica que os preços da empresa não foram alterados por sua iniciativa, mas pelo facto de o seu valor se basear em dólares, no âmbito de uma determinação da associação internacional das companhias aéreas (IATA). Como entretanto o Banco Nacional de Angola (BNA) pôs em marcha o sistema de câmbio flutuante, o custo em moeda nacional das passagens aéreas acaba por ser, forçosamente, alterado. “As nossas taxas são indexadas ao dólar. Quando estávamos no regime cambial fixo, os clientes não sentiam este impacto”, mas, com o novo regime, os preços acompanham as cotações diárias do kwanza face ao dólar, divulgadas pelo BNA, afirma. Carlos Vicente revela que, no ano passado, houve vários encontros entre a TAAG e o INFOTUR, com o intuito de se estudarem modalidades de ‘pacotes’ de incentivo ao turismo, mas este é um processo que deve envolver todos os operadores. Já neste ano, recorde-se, o conselho de administração da TAAG solicitou a realização de um estudo com vista à redução dos preços das passagens, mas apenas para voos domésticos. Os voos para Cabinda, por exemplo, já baixaram, por determinação do Presidente João Lourenço. O estudo analisa o impacto da indexação das tarifas ao dólar,e as vantagens e os prejuízos da redução dos preços. A 30.ª edição da BTL deverá contar com cerca de 75 mil visitantes, estando presentes 1300 expositores.

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