Mercado

Apple volta a ser maior fabricante de smartphones

14/02/2018 - 15:29, Business

O iPhone X foi o smartphone mais vendido no Natal e permitiu à Apple ultrapassar a grande rival Samsung.

Mesmo com uma quebra inesperada de 1% no número de iPhones vendidos, a Apple voltou a tornar-se líder do mercado mundial de smartphones no último trimestre de 2017, e ainda aproveitou para bater recordes de receitas e  lucros.  A  marca  ultrapassou  a Samsung muito graças ao iPhone X, que foi o smartphone mais vendido durante a época natalícia: quase 30 milhões de unidades, de acordo com os dados da consultora Canalys. Nos três meses finais de 2017, a Apple vendeu 77,136 milhões de iPhones, garantindo uma quota de mercado de 19,2% segundo a IDC. A Samsung passou para a segunda posição, depois de vender 74,1 milhões de smartphone se registar 18,4% de quota.

Um dado interessante é que até se esperava que a Apple reportasse um aumento ligeiro das vendas em termos de unidades, o que não aconteceu. Uma semana terá feito toda a diferença: a explicação do CEO Tim Cook para a descida de 1% foi a duração do trimestre fiscal, já que este teve 13 semanas enquanto o período homólogo teve 14 semanas. As vendas semanais de iPhones foram 6% mais elevadas neste trimestre, e isso terá tido impacto no número  final.  “O  iPhone  X  foi  o smartphonemais vendido na época natalícia” disse Cook, “e foi o best-sellerda Apple todas as semanas”, informou o CEO durante a conferência com analistas que se seguiu à apresentação de resultados. Lançado em 2 de Novembro, o iPhone X tem vendido mais que todos os outros modelos, e a tendência continuou em Janeiro, disse o CEO, lamentando os problemas de stock que impediram que o smartphone chegasse mais rapidamente às mãos dos consumidores.

Recorde de lucros

As vendas iniciais do iPhone 8 e 8 Plus foram afectadas pela expectativa relativa ao iPhone X. Apesar da quebra inesperada no volume de unidades, os preços de venda superiores empurraram a Apple directamente para um novo recorde de receitas e lucros, o que justifica que as acções da empresa estivessem a subir quase 3,5% nas trocas fora de horas. As receitas cresceram 13% para 88,3 mil milhões USD e os lucros líquidos subiram 16% para 20 mil milhões USD. São números gigantescos, ainda mais se comparados com outras titãs de Silicon Valley a apresentar resultados nesta semana: a Microsoft reportou um total de receitas de 28,9 mil milhões, e o Facebook registou 12,7 mil milhões no mesmo período. A Google obteve 32,2 mil milhões, e a Amazon, 60,5 mil milhões. Nenhuma chegou perto do volume de negócios obtido pela Apple, o que explica porque é que esta é a mais valiosa.

No entanto, a sombra do abrandamento preocupa os analistas. Tal como referiu o director europeu de pesquisa da IDC, Francisco Jerónimo, os ciclos de substituição do iPhone estão a ficar mais longos, e isso é um problema para a empresa, já que o smartphone representa dois terços do seu negócio – 61,5 mil milhões USD; as receitas provenientes do iPhone aumentaram 13%, mesmo com quebra nas unidades vendidas. Aqui está o problema: a base instalada de utilizadores activos cresce mais rapidamente que as vendas de novos aparelhos.

Tim Cook encara isto de forma positiva, dizendo que há muitos consumidores que compram iPhones em segunda mão e alargam a base instalada sem necessariamente haver um aumento correspondente de novas vendas. Os analistas é que parecem menos convencidos, pelas questões insistentes que foram feitas na conferência sobre o assunto.

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